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Agora o Big Brother também pode ouvir você, evitar ataques nem tanto.
Texto e fotos Ric Pereira/ Focvm Images

 
 

      Como se já não bastassem maioria das ruas e estações cobertas por câmeras para vigiar os movimentos da população londrina, agora estão sendo instalados microfones nos postes de luz para checar quando o nível de barulho aumenta muito.

      O aparelho sem fio será usado com câmera para alertar a polícia caso bares, clubes ou vizinhos começarem a fazer muito barulho. A prova em vídeo e som poderá ser usada nos tribunais, o esquema está sendo testado pelo Westminster Council em sete postes de luz no Soho, onde já estão instaladas câmeras, pelos próximos cinco meses. Se o nível de barulho aumentar acima do normal, o vídeo e som gravados são enviados para os oficiais que decidirão se mandam alguém averiguar ou não.

      “No momento que alguém ligar reclamando de barulho e nós tivermos decidido aonde ir, esse evento poderia se perder” disse o porta-voz Steve Harrison. “Isso é sobre tentar capturar a imagem e som instantaneamente para sabermos o que está acontecendo.”, completa.

      Mas grupos de liberdade civil dizem que isso é um passo muito além – é uma grande invasão de privacidade.”Eu acredito que o Westminster Council pode estar quebrando a lei”- disse Simon Davies, da Privacidade internacional .

      A preocupação de Davies é bastante pertinente no cenário atual, pois mesmo com toda essa vigilância não foi possível evitar o ataque à cidade de Londres no dia 7 de julho por grupos terroristas, ou como no episódio que envolveu o brasileiro Jean Charles de Menezes, morto com sete tiros na cabeça.

      Temos assistido passivamente às câmeras de vídeo invadindo escolas, vigiando possíveis contraventores, com o intuito de proteger, mas também de controlar os nossos jovens. Aceitamos tudo isso em nome da prevenção à violência. Porém, não podemos esquecer de que esse tipo de pensamento também tem servido para justificar a invasão de países em busca de supostos terroristas, o massacre de milhares de inocentes, em nome da defesa da paz e da ordem.

      O medo não deve ser o conselheiro em se tratando de decisões tão importantes. O papel das mídias tem sido fundamental na formação da opinião pública a esse respeito. Por isso é alarmante que algumas agências de notícias inglesas já estejam pautado suas matérias sugerindo aos leitores a limitação da liberdade. A pesquisa da rede de TV Sky, em que 87% dos ingleses se disseram contra mudanças na orientação da polícia de atirar para matar em todos os suspeitos mostra como essa situação é perigosa.

 
     
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