da cidade, distribuiu cartazes em ônibus e um carro de som também foi usado para anunciar o desaparecimento.
Depois de muitas buscas, uma comerciante estranhou o procedimento de uma criança que não parava de chorar que viajava com uma jovem com traços muito diferentes dos da garota, e chamou a policia. No momento em que ouviu as sirenes, a jovem deixou Tábata aos prantos e saiu correndo. A menina retornou à família, mas não consegue descrever como foi levada de casa.
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Tábata e Maria José são nomes fictícios de uma história real que teve um final feliz, mas nem sempre as coisas acontecem dessa forma. Embora não haja dados consolidados que traduzam a exata dimensão do fenômeno, estima-se que aproximadamente 40.000 ocorrências de desaparecimento de crianças e adolescentes sejam registradas anualmente nas delegacias de polícia de todo o país. Segundo o Ministério da Justiça, desse total, entre 10 e 15%, permanecem desaparecidos por longos períodos de tempo e, às vezes, jamais são reencontrados. Para diminuir esse número, e minimizar o sofrimento de famílias surgiram ongs como a Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD) , ou “Mães da Sé”, como é mais conhecida, geralmente constituídas por pessoas que passaram por essa situação, lutam para auxiliar na busca dos parentes perdidos.
A ABCD se formou no início de 1996 a partir da exposição do problema de crianças desaparecidas enfocado por uma novela. Desde então começaram a se reunir aos domingos na escadaria da Catedral da Sé, em São Paulo, como forma de protesto silencioso para chamar a atenção das autoridades competentes e da própria sociedade para a gravidade do problema, criando assim o Movimento Mães da Sé.
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A ABCD atua em várias frentes auxiliando a família através de amparo psicológico, ações junto a órgãos competentes cobrando os direitos de cidadania e de divulgação de informações através de seu site na Internet. Para a entidade, deveria ser praxe nas delegacias de polícia o encaminhamento das famílias de desaparecidos, seja para psicólogos do sistema público de saúde, das entidades que atuam com desaparecidos e seus familiares, seja para clínicas particulares para quem pode pagar. A ABCD acredita que a assistência psicológica deve ser feita durante e após o desaparecimento, pois é muito comum as mães entrarem em depressão e continuarem sem ter uma vida normal mesmo após o reaparecimento do filho.
O que fazer quando uma criança desaparece?
O primeiro passo é avisar a polícia, fazer um boletim de ocorrência. Dar todos os detalhes sobre as circunstâncias do desaparecimento, características físicas, hábitos da pessoa e vestimenta no momento do desaparecimento. Em alguns casos o Conselho Tutelar também poderá ser acionado. Depois de feita a queixa, a polícia normalmente checa as informações com cadastros de hospitais, IML e outras delegacias. Depois disso os investigadores são acionados. O modo de atuação varia de caso para caso.
É possível também registrar o desaparecimento através do site do Ministério da Justiça.
É importante fazer buscas por conta própria em casa de vizinhos, amigos, familiares, nos hospitais mais próximos e no IML..
Porém há muitos obstáculos a serem superados. A falta de um cadastro nacional e de instrumentos tecnológicos que auxiliem o trabalho da polícia são alguns dos entraves à resolução dos casos. Além disso, a falta de informação sobre os casos já solucionados também pode atrapalhar, pois as ocorrências solucionadas sem baixa, ficam pendentes no sistema.
Alternativas importantes no processo de busca.
Algumas iniciativas e sugestões podem favorecer o aumento de buscas com sucesso. Existe um projeto, idealizado pelo delegado, Paulo Kock, em tramitação interna na policia civil de São Paulo, que bloquearia o RG do desaparecido em todo o território nacional, obrigando a família ou o próprio desaparecido a entrar em contato com a delegacia, dando baixa no sistema. Falta infra-estrutura para o projeto ser colocado em prática. Ferramentas como essa não só auxiliariam o trabalho da polícia como também tornariam os números de desaparecimento de pessoas mais transparentes.
O Paraná desenvolve desde 1994 o Projeto "Envelhecimento" criado originalmente para o reconhecimento de modificações dos padrões de indivíduos procurados pela polícia. Posteriormente foi implementado para a busca de crianças desaparecidas e consiste das seguintes etapas: recolhem-se todas as fotografias disponíveis da criança em questão, mais as fotografias disponíveis dos pais em diversas idades. Estuda-se o perfil da cabeça da criança e procura-se desenvolver a evolução até a data pretendida, pesquisando dentro de um banco de dados previamente montado com vários padrões de formatos de cabeças . Todo esse procedimento visa atualizar a imagem facial das crianças aumentando as chances de reencontro.
O SICRIDE (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas) subordinado ao Delegado Geral da Polícia Civil do Paraná responsável pelo “Projeto Envelhecimento”, também desenvolve outras ações como a divulgação de cartazes com fotos de crianças desaparecidas e a distribuição da cartilha “ABC da Segurança do João Esperto”. Esta Cartilha apresenta textos e ilustrações que dão noções mínimas de segurança pessoal e preventiva às crianças, incluindo algumas dicas de procedimentos nas reais situações de emergência. Numa linguagem infantil própria e com desenhos para serem coloridos, as crianças acabam assimilando e fixando mais facilmente as idéias básicas de segurança própria. Além disso, menciona-se na cartilha que a identidade pode ser feita desde o nascimento podendo constar informações como o tipo sangüíneo e o fator RH da criança.
Nos Estados Unidos, autoridades começam a utilizar o "scanner ocular", desenvolvido e doado pelo Children's Identification and Location Database Project , projeto de um banco de dados para identificação e localização de crianças. Ele custou US$ 25 mil, e pretende auxiliar na resolução de casos de crianças desaparecidas. Hoje, o FBI tem cerca de 150 mil deles que não foram solucionados. A técnica consiste em produzir um arquivo com impressões dos olhos das crianças - mais precisamente da parte colorida ao redor da pupila, a íris. A fotografia da íris demora cerca de 15 segundos para ser feita, e uma busca no "arquivo ocular" cerca de nove segundos. O Departamento de Richland é um dos primeiros dos EUA a recorrer ao novo sistema para incrementar a segurança das crianças da região.
Nessa mesma linha a Faculdade de Medicina da USP iniciou o projeto De Volta Para Casa que pretende auxiliar na resolução de casos de desaparecimento oferecendo além de amparo psicológico e atendimento às famílias, a criação de um banco de dados genéticos dos pais e familiares. O Banco de DNA permitirá a rápida e ágil avaliação de vínculo genético das crianças e adolescentes que forem localizados.
Porque uma criança desaparece?
Os motivos são muitos e difíceis de serem determinados, na verdade as causa do desaparecimento só são conhecidas, na maioria das vezes, quando a criança é encontrada. Mas o Ministério da Justiça elaborou uma lista de tipos mais freqüentes de registro de casos:
1 - Fuga do lar - conflitos familiares
2 - Conflitos de guarda - subtração de incapaz
3 - Rapto consensual - "fuga com namorado(a)"
4 - Perda por descuido, negligência, desorientação
5 - Situação de abandono - "situações de rua"
6 - Vítima de acidente, intempérie, calamidade
7 - Tráfico para fins de exploração sexual
8 - Seqüestro
9 - Fuga de instituição
10 - Suspeita de homicídio e extermínio
Antes dos 13 anos a maior incidência de casos, segundo pesquisa feita pela ABCD, é de desaparecimento de crianças do sexo masculino a partir dessa idade as meninas começam a liderar essa triste estatística.
CRIANCAS DESAPARECIDAS |
Se você viu uma dessas crianças, contate um dos órgãos relacionados abaixo: |
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Daniel Antonio de Melo Nunes de Souza |
Daniele Brito Nunes |
Francisca Simara S. Gomes |
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Hugo Pereira da
Silva Hatakayama |
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Jéssica Cristina
de Almeida Pires |
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Pedidos de Ajuda (correntes via Internet)
Muitas vezes recebemos mensagens solicitando apoio para a recuperação de crianças. Mas infelizmente pode ser um alarme falso. Nesses casos é importante visitar o site do Ministério da Justiça ou encaminhar as mensagens para os seguintes endereços criancasdesaparecidas@sedh.gov.br ou criancasdesaparecidas@mj.gov.br . Desta forma, será feita uma verificação, combatendo o uso inadequado de imagens de crianças e adolescentes com finalidades obscuras (às vezes divulgam links comerciais junto às mensagens e há quem afirme que esta é uma forma de se obter endereços eletrônicos para o envio de SPAM) 
Para maiores informações veja:
ABCD - Associação Brasileira de Busca e Defesa à Crianças Desaparecidas
Fone - (11) 3337 3331
www.maesdase.org.br
Ministério da Justiça
www.mj.gov.br
SECRIDE - Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas do Paraná
Fone (41) 224 6822
www.pr.gov.br/policiacivil
Projeto Caminho de Volta
Fone (11) 30 85 9677
http://telemed.redealuno.usp.br/cencifor/caminhodevolta