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Você viu essa criança?
assim começa o trabalho daqueles
que ajudam a encontrar crianças desaparecidas.

Por Márcia Silva

Fotos: Ric Pereira / Focvm Images

       Na tarde quente de domingo, Dona Maria José havia saído para ir à venda e pediu para a vizinha ficar de olho em Tábata, sua filha. A garota tinha o costume de brincar com outras crianças da vizinhança. Ao retornar sua filha havia sumido. A busca começou na região pelos parentes e amigos, que munidos de foto perguntavam pela menina.

       Sem sucesso foram à delegacia registrar o boletim de ocorrência. Desesperada, Dona Maria José recorreu à rádio
 
 

da cidade, distribuiu cartazes em ônibus e um carro de som também foi usado para anunciar o desaparecimento.
       Depois de muitas buscas, uma comerciante estranhou o procedimento de uma criança que não parava de chorar que viajava com uma jovem com traços muito diferentes dos da garota, e chamou a policia. No momento em que ouviu as sirenes, a jovem deixou Tábata aos prantos e saiu correndo. A menina retornou à família, mas não consegue descrever como foi levada de casa.

       Tábata e Maria José são nomes fictícios de uma história real que teve um final feliz, mas nem sempre as coisas acontecem dessa forma. Embora não haja dados consolidados que traduzam a exata dimensão do fenômeno, estima-se que aproximadamente 40.000 ocorrências de desaparecimento de crianças e adolescentes sejam registradas anualmente nas delegacias de polícia de todo o país. Segundo o Ministério da Justiça, desse total, entre 10 e 15%, permanecem desaparecidos por longos períodos de tempo e, às vezes, jamais são reencontrados. Para diminuir esse número, e minimizar o sofrimento de famílias surgiram ongs como a Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD) , ou “Mães da Sé”, como é mais conhecida, geralmente constituídas por pessoas que passaram por essa situação, lutam para auxiliar na busca dos parentes perdidos.

       A ABCD se formou no início de 1996 a partir da exposição do problema de crianças desaparecidas enfocado por uma novela. Desde então começaram a se reunir aos domingos na escadaria da Catedral da Sé, em São Paulo, como forma de protesto silencioso para chamar a atenção das autoridades competentes e da própria sociedade para a gravidade do problema, criando assim o Movimento Mães da Sé.

       A ABCD atua em várias frentes auxiliando a família através de amparo psicológico, ações junto a órgãos competentes cobrando os direitos de cidadania e de divulgação de informações através de seu site na Internet. Para a entidade, deveria ser praxe nas delegacias de polícia o encaminhamento das famílias de desaparecidos, seja para psicólogos do sistema público de saúde, das entidades que atuam com desaparecidos e seus familiares, seja para clínicas particulares para quem pode pagar. A ABCD acredita que a assistência psicológica deve ser feita durante e após o desaparecimento, pois é muito comum as mães entrarem em depressão e continuarem sem ter uma vida normal mesmo após o reaparecimento do filho.

O que fazer quando uma criança desaparece?

       O primeiro passo é avisar a polícia, fazer um boletim de ocorrência. Dar todos os detalhes sobre as circunstâncias do desaparecimento, características físicas, hábitos da pessoa e vestimenta no momento do desaparecimento. Em alguns casos o Conselho Tutelar também poderá ser acionado. Depois de feita a queixa, a polícia normalmente checa as informações com cadastros de hospitais, IML e outras delegacias. Depois disso os investigadores são acionados. O modo de atuação varia de caso para caso. É possível também registrar o desaparecimento através do site do Ministério da Justiça. 

       É importante fazer buscas por conta própria em casa de vizinhos, amigos, familiares, nos hospitais mais próximos e no IML..

       Porém há muitos obstáculos a serem superados. A falta de um cadastro nacional e de instrumentos tecnológicos que auxiliem o trabalho da polícia são alguns dos entraves à resolução dos casos. Além disso, a falta de informação sobre os casos já solucionados também pode atrapalhar, pois as ocorrências solucionadas sem baixa, ficam pendentes no sistema.

Alternativas importantes no processo de busca.

       Algumas iniciativas e sugestões podem favorecer o aumento de buscas com sucesso. Existe um projeto, idealizado pelo delegado, Paulo Kock, em tramitação interna na policia civil de São Paulo, que bloquearia o RG do desaparecido em todo o território nacional, obrigando a família ou o próprio desaparecido a entrar em contato com a delegacia, dando baixa no sistema. Falta infra-estrutura para o projeto ser colocado em prática. Ferramentas como essa não só auxiliariam o trabalho da polícia como também tornariam os números de desaparecimento de pessoas mais transparentes.

       O Paraná desenvolve desde 1994 o Projeto "Envelhecimento" criado originalmente para o reconhecimento de modificações dos padrões de indivíduos procurados pela polícia. Posteriormente foi implementado para a busca de crianças desaparecidas e consiste das seguintes etapas: recolhem-se todas as fotografias disponíveis da criança em questão, mais as fotografias disponíveis dos pais em diversas idades. Estuda-se o perfil da cabeça da criança e procura-se desenvolver a evolução até a data pretendida, pesquisando dentro de um banco de dados previamente montado com vários padrões de formatos de cabeças . Todo esse procedimento visa atualizar a imagem facial das crianças aumentando as chances de reencontro.

       O SICRIDE (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas) subordinado ao Delegado Geral da Polícia Civil do Paraná responsável pelo “Projeto Envelhecimento”, também desenvolve outras ações como a divulgação de cartazes com fotos de crianças desaparecidas e a distribuição da cartilha “ABC da Segurança do João Esperto”. Esta Cartilha apresenta textos e ilustrações que dão noções mínimas de segurança pessoal e preventiva às crianças, incluindo algumas dicas de procedimentos nas reais situações de emergência. Numa linguagem infantil própria e com desenhos para serem coloridos, as crianças acabam assimilando e fixando mais facilmente as idéias básicas de segurança própria. Além disso, menciona-se na cartilha que a identidade pode ser feita desde o nascimento podendo constar informações como o tipo sangüíneo e o fator RH da criança.

       Nos Estados Unidos, autoridades começam a utilizar o "scanner ocular", desenvolvido e doado pelo Children's Identification and Location Database Project , projeto de um banco de dados para identificação e localização de crianças. Ele custou US$ 25 mil, e pretende auxiliar na resolução de casos de crianças desaparecidas. Hoje, o FBI tem cerca de 150 mil deles que não foram solucionados. A técnica consiste em produzir um arquivo com impressões dos olhos das crianças - mais precisamente da parte colorida ao redor da pupila, a íris. A fotografia da íris demora cerca de 15 segundos para ser feita, e uma busca no "arquivo ocular" cerca de nove segundos. O Departamento de Richland é um dos primeiros dos EUA a recorrer ao novo sistema para incrementar a segurança das crianças da região.

       Nessa mesma linha a Faculdade de Medicina da USP iniciou o projeto De Volta Para Casa que pretende auxiliar na resolução de casos de desaparecimento oferecendo além de amparo psicológico e atendimento às famílias, a criação de um banco de dados genéticos dos pais e familiares. O Banco de DNA permitirá a rápida e ágil avaliação de vínculo genético das crianças e adolescentes que forem localizados.

Porque uma criança desaparece?

       Os motivos são muitos e difíceis de serem determinados, na verdade as causa do desaparecimento só são conhecidas, na maioria das vezes, quando a criança é encontrada. Mas o Ministério da Justiça elaborou uma lista de tipos mais freqüentes de registro de casos:

1 - Fuga do lar - conflitos familiares
2 - Conflitos de guarda - subtração de incapaz
3 - Rapto consensual - "fuga com namorado(a)"
4 - Perda por descuido, negligência, desorientação
5 - Situação de abandono - "situações de rua"
6 - Vítima de acidente, intempérie, calamidade
7 - Tráfico para fins de exploração sexual
8 - Seqüestro
9 - Fuga de instituição
10 - Suspeita de homicídio e extermínio

       Antes dos 13 anos a maior incidência de casos, segundo pesquisa feita pela ABCD, é de desaparecimento de crianças do sexo masculino a partir dessa idade as meninas começam a liderar essa triste estatística.


CRIANCAS DESAPARECIDAS

     Se você viu uma dessas crianças, contate um dos órgãos relacionados abaixo:

Daniel Antonio de Melo Nunes de Souza
Daniele Brito Nunes
Francisca Simara S. Gomes
     
Hugo Pereira da
Silva Hatakayama
Jéssica Cristina
de Almeida Pires




Pedidos de Ajuda (correntes via Internet)
       Muitas vezes recebemos mensagens solicitando apoio para a recuperação de crianças. Mas infelizmente pode ser um alarme falso. Nesses casos é importante visitar o site do Ministério da Justiça ou encaminhar as mensagens para os seguintes endereços criancasdesaparecidas@sedh.gov.br ou criancasdesaparecidas@mj.gov.br . Desta forma, será feita uma verificação, combatendo o uso inadequado de imagens de crianças e adolescentes com finalidades obscuras (às vezes divulgam links comerciais junto às mensagens e há quem afirme que esta é uma forma de se obter endereços eletrônicos para o envio de SPAM)

Para maiores informações veja:
ABCD - Associação Brasileira de Busca e Defesa à Crianças Desaparecidas

Fone - (11) 3337 3331
www.maesdase.org.br


Ministério da Justiça
www.mj.gov.br

SECRIDE - Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas do Paraná
Fone (41) 224 6822
www.pr.gov.br/policiacivil

Projeto Caminho de Volta
Fone (11) 30 85 9677
http://telemed.redealuno.usp.br/cencifor/caminhodevolta


 
 

Dicas de Segurança para os Pais

1 - Nos passeios manter-se atento e não descuidar das crianças;
2 - Procurar conversar todos os dias com os filhos, observar a roupa que vestem e se apresentam comportamento diferente;
3 - Procurar conhecer todos os amigos do seu filho, onde moram e com quem moram;
4 - Acompanhá-los à escola, na ida e na volta, e avisar o responsável da escola, quem irá retirar a criança.
5 - Colocar na criança bilhetes ou cartões de identificação com nome da criança e dos pais, endereço e telefone, orientar a criança quanto ao uso do cartão telefônico, bem como fazer chamadas a cobrar para pelo menos três números de parentes, e avisá-los desta orientação;
6 - Não deixar as crianças com pessoas com desconhecidas, nem que seja por um breve período de tempo, pois muitos casos de desaparecimento ocorrem nestas circunstâncias;
7 - Fazer o mais cedo o possível, a carteira de identidade no Instituto de Identificação da sua cidade.
8 - Manter em local seguro trancado e distante do alcance das crianças, arma de fogo, facas, ou qualquer objeto ou produto que possa colocar a vida delas ou outras pessoas em risco;
9 - Orientar as crianças a não se afastar dos pais e fiscalizá-las constantemente;
10- Ensiná-las a sempre que estiver em dificuldade a procurar uma viatura policial, ou um policial fardado (PM ou Guarda Municipal) e pedir ajuda;
11- Evitar lugares de com aglomeração de pessoas;
12- Perdendo a criança de vista, pedir imediatamente ajuda a populares para auxiliar nas buscas e avisar a polícia.
Fonte: SICREDE

 
     
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