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A irmã também fotógrafa, Ana Elisa Salvatore, sua parceira no projeto |
A fotografia é uma arte única, pois é o registro de uma busca interna de cada um, das coisas que você pensa e daquilo que você sente.” se entusiasma Salvatore. A seguir apresentamos um pouco mais de sua visão sobre a fotografia e do trabalho social que desenvolve.
O início na fotografia
Mesmo com o avô e mestre fotógrafo sempre ao lado, não existia um incentivo para que a fotografia acabasse sendo a principal fonte de trabalho. Porém, aos 17 anos, começou a pensar na fotografia de uma forma mais concreta ao ter aulas com o avô.
Nesse processo descobriu que fotografia não se aprende. “Você nasce com ela, mas, como em qualquer outra profissão, deve saber domar a ferramenta intelectual e material, para poder se expressar com precisão.” - afirma.
Fotografia em família: diferentes olhares
O avô sempre foi um grande mestre que ensinou a valorizar o olhar do fotógrafo, como lembra Luís Eduardo:
“A maioria das pessoas ainda pergunta sobre o equipamento, como se ele fosse a coisa mais importante para um bom registro. Isso foi uma das maiores lições de meu avô: que a fotografia se faz pelo olho, e não pelo equipamento.”
Ainda hoje discutem fotografia apesar de terem seguido caminhos diferentes: o avô mais voltado para o lado artístico e ele como um meio de vida.
O trabalho em parceria com a irmã começou com o início do projeto Trilha Brasil. Ana Elisa já tinha algumas experiências com a fotografia, pela faculdade de design. Para Luís, é bem nítida a diferença entre do ponto de vista fotográfico de cada um, porém considera isso um ganho, pois em muitos casos os temas e assuntos se complementam.
O Projeto Trilha Brasil
Em busca de uma virada profissional e de vida, Luís contou com o apoio da irmã que aderiu projeto de tentar construir algo novo juntos e suas vidas nunca mais foram as mesmas.
O projeto é inspirado na busca de um Brasil rico, alegre, multicultural. Uma nação belíssima e colorida, mas que poucos conhecem, inclusive nós mesmos. Nasceu aí a proposta de percorrer o sertão e o interior a procura de uma realidade contada e vista através de personagens que fazem o dia a dia do nosso país.
Assim, iniciaram uma viagem que pretendia mostrar a valorização da nossa cultura sem desconectá-la de seu habitat, da natureza. Começaram o trabalho pelo Parque Indígena do Xingu, por uma questão histórica, queriam mostrar o Alto Xingu preservado em pleno século XXI. Depois seguiram pelo nordeste, uma região de contrastes e poucas informações reais. Foram feitas mais de trinta mil fotos formando um acervo que abrange desde temas antropológicos, geografia, história natural e pontos turísticos. Desse trabalho resultou o livro Trilha Brasil, e algumas exposições.
O Instituto Brasil Solidário
Quando a busca começou, seguida das primeiras viagens e encantos junto ao povo, logo perceberam que sua missão tinha um propósito além do viver, compreender e fotografar. Precisavam construir também. Optaram por realizar ações educativas. Logo perceberam que educar é cuidar da alfabetização, mas também da saúde e do meio ambiente. A idéia do Instituto Brasil Solidário foi conseqüência disso. Entre as ações do Instituto está a Campanha Livro na estrada e Pé na Tábua que inclui:
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• Formação de Bibliotecas completas e permanentes seguindo padrões e tendências internacionais de ensino (UNESCO - MEC);
• Distribuição de material escolar sob a forma de um kit composto por folhinha, régua, lápis grafite, caixa de lápis de cor, caneta, caderno, borracha, apontador, 2 livros de literatura infantil e revista;
• Realização de cursos de capacitação para professores e comunidades com temas de alfabetização, técnicas de incentivo a leitura, conceitos para preservação do meio ambiente e difusão dos assuntos entre os alunos;
• Realização de palestras de esclarecimento e instrução sobre questões do meio-ambiente (desenvolvimento de horta comunitária, coleta seletiva e separação de lixo na escola), saúde (pressão-arterial, diabetes, prevenção de DST's e câncer de mama) e higiene bucal (escovação);
• Realização de oficinas e atividades artísticas de desenho (técnicas básicas e avançadas de traço e pintura), meio-ambiente (transformação de garrafas pet em brinquedos e utensílios domésticos), fotografia digital, apresentação de teatro de marionetes (temas direcionados) e contadores de histórias;
• Apoio ao desenvolvimento econômico com informatização da escola e uso da internet para pesquisas aprofundadas sobre os temas trabalhados na escola;
• Gerenciamento individual de ações, divididas por áreas de conhecimento e aplicação em módulos;
• Atividades e avaliação a distância para analise dos resultados do trabalho e sua continuidade; dos quais foram montadas bibliotecas completas.
Além do Instituto, criaram uma empresa de comunicação, Trilha Brasil, que responde por outras áreas de atividade, como design gráfico, banco de imagens, fotografia e consultoria. Esta é na verdade uma empresa de serviços, pois cedo perceberam que os patrocínios sempre têm data e hora para acabar e não se pode depender deles. “Assim, no dia a dia, estamos divididos - ela (Ana Elisa) cuidando da área comercial e de propaganda, e eu da fotografia e das ações sociais.” - diz Luís Eduardo.
A parceria com o Rally dos Sertões
Chamados para ingressar numa equipe de competição, devido aos conhecimentos que adquirimos pelo interior, perceberam ali uma chance para realizar ações que promovessem qualidade de vida para a população, aproveitando a estrutura que estava envolvida com o evento. Começava aí a parceria com o “Sertões” que hoje abrange as áreas de educação, saúde e preservação ambiental.
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Na área educacional, o objetivo é incentivar a leitura e elevar o grau de escolaridade de populações socialmente desfavorecidas. Em 2004, por exemplo, foram entregues mais de 25.000 livros às cidades por onde o Rally passou através da campanha Livro na Estrada e Pé na Tábua.
Neste ano, o programa pretende apresentar duas ações pioneiras: a de inclusão foto-digital na qual os alunos aprenderão noções de fotografia e também participação de todas as etapas de produção da fotografia digital até a impressão. A outra ação se refere à oficina de contadores de histórias.
Estes trabalhos serão desenvolvidos em parceria com os professores, a comunidade e as Secretarias de Educação locais.
Serão realizadas, ainda, apresentações do teatro de marionetes e oficinas de desenho e reciclagem, além da doação de kits educacionais (material escolar e livros) e apostilas. Haverá também a entrega alimentos não perecíveis e de coletores coloridos para efetivação de coleta seletiva nas escolas, além de palestras educativas.
Os trabalhos baseiam-se em soluções personalizadas para cada comunidade em questão, ou seja, as ações não são iguais em todas as localidades, mas tratadas como um caso específico dentro de escolas cadastradas, a longo prazo e com avaliações anuais.
O jovem empreendedor dá uma mensagem para os que como ele querem realizar seus sonhos
Acredito que as maiores dificuldades são aquelas relacionadas a patrocínios, mas isso também é muito relativo. Antes era muito difícil conseguir parceiros, mas hoje, embora as ações sejam mais caras porque são maiores, é um pouco mais fácil de colocá-las em prática pois existe todo um histórico e retorno alcançado e comprovado.
Acho que trabalhar com questões sociais é muito gratificante, mas também não adianta nada levar isso como hobbie. Se você acredita em seus ideais e quer viver disso deve lutar e persistir, muito.
Mas também tem o lado pé no chão, como naqueles momentos em que você usa o feeling para saber se deve ou não seguir em frente. O que eu mais gosto do que criamos no dia a dia é justamente conseguir uma união de necessidades e aptidões profissionais às questões sociais. E, claro, perceber como e em que momento “amarrar” os parceiros a isso tudo.
Normalmente a figura do fotógrafo está muito mais ligada à figura do artista, e este em geral tem algumas dificuldades num lado mais empresarial. Acho que unimos as duas coisas na medida certa. Mas, acredito que o principal é o lado do povo. Isso para nós é muito claro. Faço tudo pelas pessoas que conhecemos nas estradas. Elas são a minha inspiração, minha voz, meus sentimentos expressos. A fotografia como expressão de mostrar toda uma união de povos, a riqueza e os detalhes de uma cultura que devemos conhecer melhor. A nossas raízes.
Mais informações:
Trilha Brasil Comunicação
Fone (11) 3507 1313
www.brasilsolidario.org.br
www.trilhabrasil.com.br
www.rallysolidario.com.br
www.sertoes.com |
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