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O fotógrafo Luís Eduardo Salvatore
Fotografia em ação... sempre social
Texto e Fotos: Trilha Brasil Comunicação

      Luís Salvatore cresceu em um ambiente ligado à fotografia, vídeo e imagem. O fato de ter um avô fotógrafo (Eduardo Salvatore, fundador do Foto Cine Clube de São Paulo) e um pai engenheiro eletrônico sempre despertou um interesse maior pela arte, embora não tivesse idéia de que acabaria sendo um profissional e mesmo autor de livros de foto. Isso aconteceu com o destino. Quando decidiu buscar as raízes do povo brasileiro , escolheu a fotografia como instrumento de interlocução e contou com a parceria de sua irmã, a também fotógrafa Ana Elisa Salvatore.
Essa idéia resultou no projeto Trilha Brasil que virou livro e gerou a empresa Trilha Brasil Comunicação, além do Instituto Brasil Solidário responsável pelas atividades sociais.
Para ele, ser fotógrafo significa ir além do normal. “Ter uma visão diferente ou um bom olhar nada mais é do que uma conseqüência daquilo que você acredita e da forma como vê o mundo.
 
 
A irmã também fotógrafa, Ana Elisa Salvatore, sua parceira no projeto
      A fotografia é uma arte única, pois é o registro de uma busca interna de cada um, das coisas que você pensa e daquilo que você sente.” se entusiasma Salvatore. A seguir apresentamos um pouco mais de sua visão sobre a fotografia e do trabalho social que desenvolve.

O início na fotografia
      Mesmo com o avô e mestre fotógrafo sempre ao lado, não existia um incentivo para que a fotografia acabasse sendo a principal fonte de trabalho. Porém, aos 17 anos, começou a pensar na fotografia de uma forma mais concreta ao ter aulas com o avô.

      Nesse processo descobriu que fotografia não se aprende. “Você nasce com ela, mas, como em qualquer outra profissão, deve saber domar a ferramenta intelectual e material, para poder se expressar com precisão.” - afirma.


Fotografia em família: diferentes olhares

      O avô sempre foi um grande mestre que ensinou a valorizar o olhar do fotógrafo, como lembra Luís Eduardo:
“A maioria das pessoas ainda pergunta sobre o equipamento, como se ele fosse a coisa mais importante para um bom registro. Isso foi uma das maiores lições de meu avô: que a fotografia se faz pelo olho, e não pelo equipamento.”

      Ainda hoje discutem fotografia apesar de terem seguido caminhos diferentes: o avô mais voltado para o lado artístico e ele como um meio de vida.

      O trabalho em parceria com a irmã começou com o início do projeto Trilha Brasil. Ana Elisa já tinha algumas experiências com a fotografia, pela faculdade de design. Para Luís, é bem nítida a diferença entre do ponto de vista fotográfico de cada um, porém considera isso um ganho, pois em muitos casos os temas e assuntos se complementam.

O Projeto Trilha Brasil
     Em busca de uma virada profissional e de vida, Luís contou com o apoio da irmã que aderiu projeto de tentar construir algo novo juntos e suas vidas nunca mais foram as mesmas.

      O projeto é inspirado na busca de um Brasil rico, alegre, multicultural. Uma nação belíssima e colorida, mas que poucos conhecem, inclusive nós mesmos. Nasceu aí a proposta de percorrer o sertão e o interior a procura de uma realidade contada e vista através de personagens que fazem o dia a dia do nosso país.

      Assim, iniciaram uma viagem que pretendia mostrar a valorização da nossa cultura sem desconectá-la de seu habitat, da natureza. Começaram o trabalho pelo Parque Indígena do Xingu, por uma questão histórica, queriam mostrar o Alto Xingu preservado em pleno século XXI. Depois seguiram pelo nordeste, uma região de contrastes e poucas informações reais. Foram feitas mais de trinta mil fotos formando um acervo que abrange desde temas antropológicos, geografia, história natural e pontos turísticos. Desse trabalho resultou o livro Trilha Brasil, e algumas exposições.



O Instituto Brasil Solidário

      Quando a busca começou, seguida das primeiras viagens e encantos junto ao povo, logo perceberam que sua missão tinha um propósito além do viver, compreender e fotografar. Precisavam construir também. Optaram por realizar ações educativas. Logo perceberam que educar é cuidar da alfabetização, mas também da saúde e do meio ambiente. A idéia do Instituto Brasil Solidário foi conseqüência disso. Entre as ações do Instituto está a Campanha Livro na estrada e Pé na Tábua que inclui:

• Formação de Bibliotecas completas e permanentes seguindo padrões e tendências internacionais de ensino (UNESCO - MEC);
• Distribuição de material escolar sob a forma de um kit composto por folhinha, régua, lápis grafite, caixa de lápis de cor, caneta, caderno, borracha, apontador, 2 livros de literatura infantil e revista;
• Realização de cursos de capacitação para professores e comunidades com temas de alfabetização, técnicas de incentivo a leitura, conceitos para preservação do meio ambiente e difusão dos assuntos entre os alunos;
• Realização de palestras de esclarecimento e instrução sobre questões do meio-ambiente (desenvolvimento de horta comunitária, coleta seletiva e separação de lixo na escola), saúde (pressão-arterial, diabetes, prevenção de DST's e câncer de mama) e higiene bucal (escovação);
• Realização de oficinas e atividades artísticas de desenho (técnicas básicas e avançadas de traço e pintura), meio-ambiente (transformação de garrafas pet em brinquedos e utensílios domésticos), fotografia digital, apresentação de teatro de marionetes (temas direcionados) e contadores de histórias;
• Apoio ao desenvolvimento econômico com informatização da escola e uso da internet para pesquisas aprofundadas sobre os temas trabalhados na escola;
• Gerenciamento individual de ações, divididas por áreas de conhecimento e aplicação em módulos;
• Atividades e avaliação a distância para analise dos resultados do trabalho e sua continuidade; dos quais foram montadas bibliotecas completas.

      Além do Instituto, criaram uma empresa de comunicação, Trilha Brasil, que responde por outras áreas de atividade, como design gráfico, banco de imagens, fotografia e consultoria. Esta é na verdade uma empresa de serviços, pois cedo perceberam que os patrocínios sempre têm data e hora para acabar e não se pode depender deles. “Assim, no dia a dia, estamos divididos - ela (Ana Elisa) cuidando da área comercial e de propaganda, e eu da fotografia e das ações sociais.” - diz Luís Eduardo.

A parceria com o Rally dos Sertões

      Chamados para ingressar numa equipe de competição, devido aos conhecimentos que adquirimos pelo interior, perceberam ali uma chance para realizar ações que promovessem qualidade de vida para a população, aproveitando a estrutura que estava envolvida com o evento. Começava aí a parceria com o “Sertões” que hoje abrange as áreas de educação, saúde e preservação ambiental.

      Na área educacional, o objetivo é incentivar a leitura e elevar o grau de escolaridade de populações socialmente desfavorecidas. Em 2004, por exemplo, foram entregues mais de 25.000 livros às cidades por onde o Rally passou através da campanha Livro na Estrada e Pé na Tábua.

      Neste ano, o programa pretende apresentar duas ações pioneiras: a de inclusão foto-digital na qual os alunos aprenderão noções de fotografia e também participação de todas as etapas de produção da fotografia digital até a impressão. A outra ação se refere à oficina de contadores de histórias.

     Estes trabalhos serão desenvolvidos em parceria com os professores, a comunidade e as Secretarias de Educação locais.

      Serão realizadas, ainda, apresentações do teatro de marionetes e oficinas de desenho e reciclagem, além da doação de kits educacionais (material escolar e livros) e apostilas. Haverá também a entrega alimentos não perecíveis e de coletores coloridos para efetivação de coleta seletiva nas escolas, além de palestras educativas.

   
   

      Os trabalhos baseiam-se em soluções personalizadas para cada comunidade em questão, ou seja, as ações não são iguais em todas as localidades, mas tratadas como um caso específico dentro de escolas cadastradas, a longo prazo e com avaliações anuais.

O jovem empreendedor dá uma mensagem para os que como ele querem realizar seus sonhos

      Acredito que as maiores dificuldades são aquelas relacionadas a patrocínios, mas isso também é muito relativo. Antes era muito difícil conseguir parceiros, mas hoje, embora as ações sejam mais caras porque são maiores, é um pouco mais fácil de colocá-las em prática pois existe todo um histórico e retorno alcançado e comprovado.

      Acho que trabalhar com questões sociais é muito gratificante, mas também não adianta nada levar isso como hobbie. Se você acredita em seus ideais e quer viver disso deve lutar e persistir, muito.

      Mas também tem o lado pé no chão, como naqueles momentos em que você usa o feeling para saber se deve ou não seguir em frente. O que eu mais gosto do que criamos no dia a dia é justamente conseguir uma união de necessidades e aptidões profissionais às questões sociais. E, claro, perceber como e em que momento “amarrar” os parceiros a isso tudo.

      Normalmente a figura do fotógrafo está muito mais ligada à figura do artista, e este em geral tem algumas dificuldades num lado mais empresarial. Acho que unimos as duas coisas na medida certa. Mas, acredito que o principal é o lado do povo. Isso para nós é muito claro. Faço tudo pelas pessoas que conhecemos nas estradas. Elas são a minha inspiração, minha voz, meus sentimentos expressos. A fotografia como expressão de mostrar toda uma união de povos, a riqueza e os detalhes de uma cultura que devemos conhecer melhor. A nossas raízes.

Mais informações:
Trilha Brasil Comunicação
Fone (11) 3507 1313

www.brasilsolidario.org.br
www.trilhabrasil.com.br
www.rallysolidario.com.br
www.sertoes.com

 
     
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