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Policia orienta o povo.
Relatos do dia seguinte
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Texto Juliane Trevisan
Fotos Ric Pereira/Focvm Images

         Nada tem ocupado mais a cabeça dos governantes na atualidade que a necessidade urgente de implantação de medidas que garantam a paz mundial. Quando a globalização econômica festejava o fim da guerra fria, a falência do comunismo e o triunfo do capitalismo como forma ideal de organização sócio-econômica, o atentado contra as torres gêmeas, e a (in)conseqüente
 
 

invasão do Afeganistão e do Iraque abalou essa ideologia colocando a nu sua face perversa. Nações e territórios que até então se julgavam protegidos, têm que conviver com uma outra realidade: a da vulnerabilidade. Mas como as pessoas comuns vivenciam essas situações? Como as discussões de gabinete e as manchetes de jornais se materializam nos ônibus, metrôs e atingem suas vidas? O relato que apresentamos a seguir mostra a experiência vivida por Juliane, uma estudante de jornalismo que estava em Londres na semana dos recentes atentados à cidade de Londres mostra a sua surpresa e indignação diante da violência inesperada.

Juliane

         A cidade amanheceu sombria, triste e cinzenta. Um ar de insegurança e medo pairava sobre o céu Londrino. Ironicamente no dia anterior, a cidade havia acordado de ressaca com “gostinho” de vitória por ter sido eleita para sediar as Olimpíadas de 2012. Eu sempre ouvi dizer que as coisas costumam mudar diariamente, mas nunca pensei que algo pudesse ser tão paradoxal assim. Um dia de festa, alegria, vitória e outro de caos, tragédia e impotência.

Londres candidata vencedora.

         Naquela semana os holofotes do mundo estavam direcionados para Londres. No sábado (02 de julho) a cidade foi palco do maior show do Live 8 em prol da África, um dia de festa, solidariedade, emoção, música, comoção e sonho para mim. Na quarta-feira (06 de julho) a Rainha jantou com os lideres do G8 dando assim inicio as reuniões. E nesse mesmo dia, Londres foi escolhida para sediar as Olimpíadas de 2012, mais um dia de festa e orgulho. Na manhã seguinte (07 de julho) aconteceria o ataque terrorista deixando toda a cidade vulnerável e “medrosa”. E a semana “Londres midiatica” se finalizaria no domingo (10 de julho) com o torneio de F1 em Silverstone (cidade próxima a Londres).

Tudo armado para a festa

        Na quinta-feira, uma outra Londres se fez presente em meus olhos, acostumada a ver as bandeiras da Inglaterra exibidas majestosamente como verdadeiros troféus, elas estavam a meio palmo, com vergonha de tudo o que estava acontecendo. Ao contrário dos outros dois dias de festa, aonde havia muita música, no dia fatídico a única música que se fez presente foi a das sirenes de policia e ambulância, que ecoa em nossa mente a cada segundo e nos faz temer e tremer ao lembrar.

Edgware Road fechada. Transtorno para o publico.

         Como o ser humano é tão frágil e ao mesmo tempo desumano! Por que ao mesmo tempo em que é possível ver a preocupação e solidariedade de alguns, outros que cometem essa atrocidade? O que eles querem com isso, chamar a atenção? O mundo inteiro estava olhando para Londres por causa das Olimpíadas, “então essa é a hora de nós agirmos” – devem ter pensado. Querem se vingar do Tony Blair por apoiar o Bush? Querem mostrar que mesmo os 8 paises mais “poderosos” são vulneráveis a eles?

         Cogitações e possíveis respostas existem, mas o que nos temos a ver com isso? O que as pessoas que estavam no metrô lendo seus jornais tranqüilamente a caminho do trabalho tinham a ver com tudo isso? Nada! Estavam apenas querendo viver.

         É estranha a sensação de impotência que nos acomete nessa hora. É estranho imaginar que isso está tão perto de nós. Eu estou acostumada a ver o terrorismo, alheia aos fatos e bem longe disso tudo. Mas não, toda essa loucura aconteceu do meu lado, ao alcance dos meus olhos, me fez caminhar por duas horas e meia para chegar em algum lugar e passei por duas das quatro estações atingidas.

Um dos muitos bilhetes deixados pelo publico.Choque profundo.

         A sensação foi terrível. As pessoas correndo para todos os cantos sem saber o que fazer, todo mundo sem saber realmente o que estava acontecendo, os olhos encharcados e desesperados, em busca por respostas que nunca virão, o barulho das sirenes, enfermeiras correndo com macas, policiais gritando para todos se afastarem. Eu me senti uma criança, sem saber o que fazer, completamente perdida e sem rumo. Mas eu não era a única, no rosto de todos estava estampada essa sensação. Pessoas paradas nas ruas esperando algo que nem ao menos elas sabiam o que era.

Angela e Paula.Metro e onibus nunca mais.

        No meio disso tudo encontro duas estudantes brasileiras que moram ao lado da estação de Edgware Road, uma das estações atingidas “acabamos de mudar para cá, antes utilizava o ônibus, mas agora não pego mesmo que esteja atrasada, e metro nem pensar” diz Paula Mayumi que junto com sua amiga Ângela Aiko estudam em Oxford Circus e agora vão a pé para a escola.

         A cidade continua temerosa e em estado de alerta, procurando desaparecidos, velando os mortos e orando pelos feridos. E, principalmente, esperando que nada mais nos acometa.

 
     
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