Sobre-vivendo em Lisboa
Por: Ric Pereira
Foto arquivo pessoal
Juliana Duarte é uma brasileira que enfrenta muitas adversidades em Lisboa, fala de sua luta para conquistar seus sonhos e um dia voltar ao Brasil.
Nessa entrevista fala de como foi diferente do que ela imaginou estar fora do Brasil.
De onde você vem no Brasil?
Sou de Belo Horizonte - Minas Gerais
Você sempre morou ai em Lisboa desde que chegou?
Saí do Brasil para morar em Foz do Arelho, perto de Caldas da Rainha, recebi um convite para tentar trabalhar em um bar alternativo.
E como foi parar em Lisboa?
Uma história complicada.....
Fui para Caldas da Rainha trabalhar em uma vivenda, foi um contato que arrumei pela Internet. As coisas não correram como o planejado e eu decidi sair de lá e tentar a sorte em outro lugar e no caso quis começar por Lisboa e aqui estou até então.
Mas a mais complicada foi minha vinda pra cá!
Eu decidi sair da vivenda que estava morando por maus tratos, então como tinha outros contatos (também da Internet), resolvi ligar para um suposto amigo e pedir ajudar.
E este mesmo "amigo" pediu para um primo dele me ligar e me ajudar.
Após pensar muito, decidi que lá (na vivenda) não era pra mim, e acabei confiando nesse amigo.
O que você fazia no Brasil?
Trabalhava no Faturamento de uma empresa representante de peças hospitalares, prótese e próteses ortopédicas.
Fazia faculdade de Administração de Empresas, mas parei no quinto período.
Sua vida hoje ai é muito diferente da sua vida no Brasil?
Mudou totalmente, o rítimo, as condições, o risco, solidão, medo...
Há tempos vem se falando da dificuldade para brasileiros entrarem em Portugal, você teve alguma dificuldade para entrar?
Nenhuma, eu vim por Madrid e não me fizeram nenhuma pergunta, foi muita sorte. Aqui em Portugal nem pela imigração tive que passar.
Ao sair do Brasil como imaginava que seria em Portugal?
Pensei que seria fácil, porque eu estava deixando minha família para viver com outra família, sabia que teria muita saudade, como tenho até hoje, mas imaginei que estaria segura, e que ganharia muito dinheiro.
Algo saiu diferente do planejado?
Totalmente. Como já falei, não deu certo onde fui morar, tive que me virar sozinha em Lisboa, mas não foi totalmente sozinha. Tive sorte ao encontrar pessoas que me ajudaram.
Como vivem os brasileiros em Lisboa?
Isso é relativo, alguns estão estabilizados e outros estão como eu, tentando a sorte, mas as condições de vida são precárias, quartos para seis pessoas, trabalho escravo.
Isso tudo depende muito das oportunidades que vão surgindo, se encontra de tudo aqui. Geralmente os homens trabalham em obras de construção civil e as mulheres em limpezas, restaurantes, casas de família, etc.
Os brasileiros na visão do português (homens e mulheres) são prostitutas, as propostas de trabalho geralmente seguem para este ramo.
Havia uma briga entre os dentistas brasileiros e portugueses anos atrás, como está essa situação agora, há muitos dentistas brasileiros e outros profissionais liberais estabelecidos na cidade?
Existem muitos dentistas e clínicas brasileiras, assim como outras especialidades, mas o que vejo é que os brasileiros, além de bons profissionais aceitam um salário mais baixo, os portugueses não são tão flexíveis quanto a isso, mas isso é de um modo geral.
Você normalmente usa serviços de brasileiros?
Para falar a verdade, eu quase não procurei estes serviços ainda, estou pouco tempo aqui e antes de sair do Brasil fiz tudo isso, mas sei de pessoas (brasileiros e portugueses) que usam muito este serviço e até preferem os brasileiros.
E como você se sente emocionalmente vivendo fora de sua terra natal?
Agora estou melhor, estou mais segura e mais confiante, mas no início foi muito complicado. Sinto muita saudade da minha família, dos meus amigos, do "calor" do Brasil, mas agora tento me “virar” com o que tenho e com o que posso.
Como está a situação de trabalho ai, depois da abertura da comunidade européia, há muitas pessoas do resto da Europa ai?
Não muitas, Portugal é hoje um país praticamente falido, não há trabalho, não se ganha dinheiro, o que eu vejo e sinto é que até os portugueses passam muita dificuldades.