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Fotógrafo, profissão - observador
Texto e Fotos de: Marcelo Brito E. S. Filho

Marcelo Filho
      Baiano de Ilhéus, terra do cacau e Jorge Amado. Me criei profissionalmente em Uberaba MG, onde resido atualmente.

      Após ter perdido o vestibular em Salvador, para Desenho Industrial. Me formei em Publicidade e Propaganda em Uberaba, e segui pelo caminho da imagem. Já no quarto ano de publicidade abri a Mira Produtora (Mira, nome indígena homenagens aos nossos silvícolas). Trabalhando na área de comerciais para TV, vídeos coorporativos e curtas-metragens já realizei mais de 1.000 comerciais em 8 anos de empresa.

      Pelo fato de trabalhar com imagem, estudei muito sobre luz, movimento e forma. Tive a grande oportunidade de aprender sobre direção de fotografia para cinema com o mestre fotógrafo Waldemar Lima (filme Deus e o Diabo na Terra do Sol).

      A fotografia Still veio muito depois, sempre que saía para dirigir algum comercial, registrava situações e composições das mais diversas. Por isso a fotografia é hoje um grande hobby.

Flor Serra da Canastra

      Usamos o termo “Still” para representar a fotografia estática, parada. É muito comum as pessoas confundirem as funções do fotógrafo. O termo Still serve para identificar se o profissional é um fotógrafo de imagem ou de fotografia parada (Still).

      A formação de um fotógrafo, seja de cinema, vídeo ou fotografia, acontece em duas etapas: a primeira está relacionada ao conhecimento de técnicas e equipamentos, importantíssima para que o profissional domine suas ferramentas de trabalho. A segunda, mais demorada, consiste no aprimoramento da sua linguagem profissional. Poderíamos definir também como a sensibilidade do fotógrafo em registrar suas imagens. A observação estará sempre presente nesta etapa. Buscando aprimorar suas técnicas, os fotógrafos mais experientes carregam consigo horas, dias, anos de observação e vivências das mais diversas.

      Um aspecto importante e por sua vez baseado na observação, são os fenômenos da natureza. Certa vez discutia com um fotógrafo sobre qual seria a melhor época do ano para se fazer uma imagem ao ar livre. Depois de muitas variáveis apresentadas e algum conhecimento adquirido, concluímos que os meses mais frios: junho, julho e agosto, promovem uma imagem muito mais “limpa”, com um céu mais azul e com cores mais vivas. Isso acontece porque o ar fica realmente mais limpo, pois com a temperatura mais baixa, temos a presença de pouca sujeira suspensa, sujeira essa proveniente do aquecimento das águas junto com poeira e outras partículas invisíveis ao nosso olho, mas que, juntas, formam uma nuvem em toda a atmosfera tornando nossa imagem mais opaca. Decerto, esse é apenas um dos fenômenos que devemos considerar para ser ter uma bela imagem. 

       Outro aspecto interessante é com relação aos horários para se fazer uma boa imagem. Dificilmente conseguiremos uma fotografia equilibrada se a fizermos no período das 10:30 às 14:30 horas, já que a posição do sol fará uma sombra  de cima para baixo , tornando a imagem visualmente desinteressante.

      Todas essas observações são básicas para a maioria dos fotógrafos, mas é sempre bom relembrar. Além disso, é importante dizer que toda a realidade de uma fotografia pode mudar em função da localização, por exemplo: nossa vegetação (Brasil) possui uma coloração verde mais forte, por causa do nosso clima a produção de clorofila é muito mais intensa. Alguns profissionais de outros países ao fotografarem no Brasil podem ficar surpresos ao revelarem seus filmes após trabalhos realizados com nossa vegetação. Isso acontece porque a escolha do tipo de filme a ser usado (filme de cinema) leva em consideração as cores que se deseja realçar e o tipo de luz a ser usada.

Aeroporto em Brasília

      Esses são exemplos mostram que a observação é tão importante quanto a técnica e o conhecimento de equipamentos. Por isso um bom fotógrafo é aquele que observa a acumula experiências para poder usá-las no futuro.

      Sobre direção de fotografia (imagem em movimento) precisaria de muitas páginas para descrever esta função tão complexa. No set de filmagem o fotógrafo é aquele que corre para um lado e para o outro para fazer a luz que o diretor de cena pediu, no caso de produções comerciais. Geralmente lidamos com pouco tempo para produzir as cenas, agilidade e conhecimento são imprescindíveis.

      O diretor de fotografia trabalha em total sintonia com o diretor de cena, já que é dele a responsabilidade em dar o “clima” a cena. Isso porque partimos do princípio de que uma cena bem produzida tem atores maravilhosos, um cenário perfeito, movimentos de câmera bem desenvolvidos e sempre, sempre mesmo, uma luz magnífica.

      Geralmente costumo fotografar com uma câmera bem simples, meu trabalho não permite que carregue comigo câmeras de grande formato e diversos tipos de lente. Faço as fotos durante as gravações de comerciais e não disponho de muito tempo para elaborá-las. Por isso procuro observar enquadramentos inusitados.

Tango em San Telmo

      Em publicidade, costumamos dizer que as imagens mais “atrativas” são aquelas em que o telespectador fica intrigado com o lugar onde colocaram a câmera, ou até mesmo os movimentos que são feitos com ela. Isso torna a imagem diferente, pois mostra o assunto de um ângulo inesperado. É o novo! Isso atrai em publicidade.

      Perfil profissional:  A Mira produtora desenvolve uma vez por ano comercias gratuitos para organizações filantrópicas com intuito de arrecadar doações. Além disso, a produtora mantém sua equipe sempre a disposição das faculdades de comunicação para viabilizar trabalhos acadêmicos sem fins lucrativos . Desenvolvendo dessa forma uma cultura de vídeo na região em que se insere.

       Nossa linha de trabalho é diferenciada pois, por ter uma formação publicitária e ter estudado muito sobre cores e composição, conseguimos com sucesso integrar imagens belas com elementos gráficos pertinentes. Ou seja, nossos trabalhos possuem uma integração entre imagem e grafismo totalmente harmônica.

Trator Abandonado

      Acredito que todo diretor de fotografia seja apaixonado por foto still. Já que as duas fazem parte do mesmo universo artístico. Ver a fotografia como forma de expressão é algo que me fascina. Por isso acredito que as fotos em situações do cotidiano carregam uma força muito grande. É a máxima expressão do espontâneo.

      Trabalhar com publicidade nos dá uma carga profissional muito boa, pois você produz em grande quantidade e não pode abrir mão da qualidade. Dessa forma o crescimento profissional é mais acelerado. É certo que para isso você tenha que abrir mão de outras coisas.

      Outro aspecto importante é a diversidade de assuntos e segmentos que você está exposto diariamente. Isso acaba contribuindo para que você desenvolva habilidades diversas. A publicidade é uma boa escola, mas acaba tornando seu trabalho comercial e descartável. É nessas horas que sentimos a necessidade de “respirar” e produzir algo com mais conteúdo, aí é onde entra a fotografia.

 
  Marcelo Brito do E. S. Filho é diretor de cena e fotografia.  
 
 
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