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Avenida Beira Mar, de ontem e de hoje
Texto Celia Ferreira
Fotos  Bman Castro

Volta da Jurema
       A Cidade nasceu em torno do Forte de Nossa Senhora de Assunção de onde cresceu e herdou o nome: FORTALEZA, um ponto de referência que se consolidou com o tempo. Ganhou importância na segunda metade do século XIX com a cotação do algodão no mercado internacional; quando foi preparada para ser a Capital do Estado do Ceará. Até então a cidade mais importante era Aracati, com suas igrejas, seus sobrados de azulejos e seu porto no rio Jaguaribe.

         A partir dos anos 30 começaram os investimentos para embelezar Fortaleza, ligá-la por estradas ao interior, planejá-la para crescer e ser tornar metrópole. Entretanto, a falta de um porto continuava a ser um entrave ao crescimento da economia local e a Praia do Meireles era um imenso coqueiral. A cidade ainda não se voltara para o mar.

Abastecimento de coco na Beira Mar

         A construção de um porto por onde seria escoada a sua produção sempre foi uma reivindicação secular do comércio cearense. No decênio 1931-1940, mais precisamente em abril de 1936, o então governador Francisco Menezes Pimentel assinou todos os papéis relativos à construção do porto defronte da Capital. Hoje, o porto do Mucuripe conta com 956 metros de cais, sendo administrado pela Companhia Docas do Ceará.

         Fortaleza começou a moldar-se como litorânea, identificando-se como Capital. Nasceu a cidade “litorânea-interiorana” conservando e desenvolvendo ligações pontuais com a zona da praia, deslocando-se gradualmente para a Praia do Meireles como demanda por espaços de habitação e lazer.

Calçadão da Beira mar

         Com o objetivo de promover atividades desportivas, recreação e lazer, principalmente ligados ao mar, foram fundados clubes sociais atuantes, como o Clube Náutico Atlético Cearense, ainda em atividade há quase 75 anos, na antiga Praia Formosa e hoje com sede na Praia do Meireles.A Avenida Beira Mar não possuía a infra-estrutura básica de apoio aos banhistas, nem mesmo local para a troca de roupa, pois, nas décadas de 50 e 60, ninguém ousava deslocar-se de casa para a praia em trajes de banho. Isso tudo levava a juventude, imperativamente, a vincular-se a um clube sócio-esportivo e a submeter-se ao seu regulamento, com rígidos padrões de comportamento.

        Entre os anos 1940-1970, confirmou-se o processo de construção da cidade litorânea, com a valorização da orla marítima como lugar de habitação, de lazer e de veraneio. A urbanização da Praia do Meireles é reforçada a partir da implementação do Plano Diretor de Fortaleza de 1962, que orientava o crescimento da cidade para o litoral, com a construção da avenida Beira Mar, em 1963, que impõe a integração das zonas de praia à cidade, ora como equipamento público de lazer, ora como lugar de habitação das classes privilegiadas. Por sua constituição, a zona de praia transformou-se em principal ponto de encontro de Fortaleza, em detrimento do Centro.

Estátua de Iracema

         Após a urbanização das praias de Iracema e do Meireles, a cidade voltou-se predominantemente para o mar. As políticas públicas que referendavam as ações privadas – com a construção de hotéis, de pousadas, restaurantes, barracas de praia e de estações aquáticas, bem como loteamentos e arranha-céus que suscitaram a verticalização da zona leste de Fortaleza (principalmente Aldeota e Meireles) – favoreceram a construção de uma cidade litorânea, capaz de responder à crescente demanda por espaços de lazer e turismo. Os espaços relativos ao turismo originaram-se de demanda externa, que aumentou gradativamente no transcorrer dos anos.

         Segundo Fernanda Melo da Escóssia, a Avenida Beira Mar torna-se “os olhos da cidade para o mundo”, semelhante a Copacabana que por muito tempo também foi habitada apenas por humildes pescadores que viviam em palhoças. Foi planejada em 1947, porém sendo sua inauguração 20 anos mais tarde, tendo a característica de uma via radial ligando a região leste ao oeste. Conta com uma extensão de 3 km e é considerado o maior ponto de movimentação turística da cidade, mesclando oferta de lazer, compra e entretenimento.

         Apesar de ser lugar de lazer das classes mais abastadas, hoje as favelas convivem com os prédios imponentes e ricos. Seu primeiro nome foi Avenida Presidente Kennedy, em homenagem ao Presidente dos Estados Unidos que havia falecido recentemente.

        Uma grande diversidade de cenários e atividades podem ser encontradas na Beira Mar: Prédios de luxo, bons restaurantes e meios de hospedagem, a feirinha de artesanato, pessoas fazendo “Cooper”, crianças correndo e passeando no “trenzinho”, skatistas, comidas típicas, sorveterias, as jangadas e seus pescadores, o mercado de peixes e frutos-do-mar, ambulantes, quadras de esporte, posto de informações, teatro ao ar livre, carros de passeios que ofertam transporte para as praias mais distantes entre outras atrações.

         Nos anos 90 foi inaugurada uma sala de exibição de filmes chamada “Studio Beira Mar”, que logo foi fechado por falta de público. E hoje, decorridos alguns anos, volta a funcionar como Teatro de Humor, muito procurado pelos turistas e residentes. A Estátua de Iracema - cartão postal da cidade - inaugurada em 1965, de autoria do artista paraibano Corbiniano Lins, mostra a índia Iracema guerreira e Martins Soares Moreno, levando num barco o pequeno Moacir (filho dele com Iracema) de volta para Portugal.

Praia do Náutico

         O trecho onde há uma curva mais acentuada é chamado de “Volta da Jurema”, nome originado pela espécie de árvore que se encontrava em grande quantidade neste local. Denominada pelos jovens no final dos anos 80 e início dos anos 90 de “Volta”, tornou-se local de paquera e agito no final do dia e começo da noite, ainda hoje se concentram as quadras de esportes freqüentadas por desportistas.

         No fim da orla fica a enseada da Praia do Mucuripe, onde aportam as jangadas que diariamente saem para pescar. De lá partem os barcos que fazem passeios turísticos. Nessa área, encontra-se também o “Monumento ao Jangadeiro”, uma escultura de 1991, de autoria de Sérvulo Esmeraldo. É uma homenagem a Francisco José do Nascimento, o “Dragão do Mar”, figura histórica, que nesse local em 1883 fechou o porto ao embarque de escravos.

         A Beira Mar é um local da cidade que funciona 24 horas. A qualquer hora do dia ou da noite podemos ver pessoas que se movimentam pela orla, boêmios, atletas, pescadores, comerciantes, turistas, artistas mambembes e ambulantes. Ela não dorme jamais, confunde-se com a boemia, a cultura e o lazer...

 
     
 
 
     
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