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As diferentes gerações e suas relações com o trabalho
Texto: Ana Helena B. Silva
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Foto: Ric Pereira/Focvm Images |
A globalização gerou um grande impacto nas organizações que estão desenvolvendo novos mercados além das fronteiras regionais e nacionais, trazendo consigo a necessidade de compreender e integrar aspectos tecnológicos e policulturais destas mudanças, como diferentes grupos raciais e étnicos, diferentes idiomas e valores culturais, nova estrutura e dinâmica do local de trabalho (home Office, trabalho com equipes divididas em várias regiões ou países, etc), tecnologias diferenciadas que são rapidamente substituídas, etc. Essa maior diversidade gerou também a revisão de práticas gerenciais e conseqüentemente novos modos de relacionamento com o trabalho. É sobre isso que nos fala a psicóloga Ana Helena B da Silva, que presta Assessoria de RH a grandes empresas.
Atualmente temos três gerações trabalhando nas organizações, que viveram acontecimentos históricos exclusivos que interferem na sua maneira de atuar e enxergar o mundo. À medida que passam, os membros de uma geração influenciam a sociedade de forma diferente de seus antecessores.
Segundo Conger, as gerações podem ser classificadas da seguinte forma:
1922 a 1943 – Veteranos
1945 a 1963 – Baby Boomers
1963 a 1978 – Geração X
1978 – 1996 – Geração Y
Para compreender como cada geração difere uma da outra é preciso que se perceba que cada uma delas forma um conjunto de crenças, valores conseqüentes da época em que viveram e foram criadas.
A geração dos Veteranos, também chamada Geração do Silêncio, viveu sob o impacto de uma guerra mundial, da grande depressão, da vulnerabilidade dos seres humanos, das doenças (a peste espanhola, por exemplo). Seus pais e avós emergiram de um modelo de semi-escravidão, cujo estilo de liderança era autoritária, totalitária e em organizações cujo comando mirava-se na hierarquia militar.
A geração nascida nos anos 40, também chamada de geração Baby Boomer se desenvolveu dentro de um período de desilusões, onde testemunhou a vulnerabilidade da autoridade como o caso Watergate e assassinatos em série de líderes da transformação como os Kennedy's e Martin Luther King. Para esta geração a autoridade não parecia confiável. Ao contrário de seus pais, achava razoável desafia-la diretamente. Independentes, tinham uma grande necessidade de ter participação nos rumos políticos de seu mundo. No Brasil manifestou-se pela contra-revolução dos jovens contra a ditadura e por vários movimentos rebeldes na América Latina.
Os Baby Boomers ou Geração Fidelidade, caracterizavam-se pelo otimismo e fidelidade à empresa. Tinham um forte senso de oportunidade e muita crença no futuro, acreditavam que o progresso era decorrente do crescimento individual. Por isso, a carreira vinha à frente de tudo, inclusive da família. Foi a geração do milagre brasileiro e dos workaholics.
Seus filhos, a chamada Geração X, nascidos entre 1963 e 1978, ou seja, aqueles que hoje têm entre 26 e 40 e poucos anos, marcadamente cresceram em uma sociedade em contínua, rápida e radical mudança. Tendo crescido com ambos os pais trabalhando fora, aprenderam a desenvolver sua autonomia, a fazer as coisas eles mesmos. Estão acostumados a resolver problemas, planejar e organizar as coisas. Valorizam pessoas que conseguem desempenhar múltiplos papéis e conduzir diversas questões ao mesmo tempo. Se por um lado querem ser motivados, sentem necessidade de feedback honesto e construtivo e detestam ser controlados.
A Geração X aceita o trabalho duro, mas possui um desejo de estabelecer limites na sua vida profissional. Numa escala de prioridades, o trabalho não está em 1º lugar. Viram seus pais sofrerem com as reestruturações nas empresas e perceberam que dedicação e lealdade, necessariamente não representam segurança no emprego. Também chamada Geração da Reciprocidade, tem como foco o reconhecimento de seus talentos e capacidades. Esta Geração compõe boa parte dos gestores atuais e vêm moldando uma nova empresa com as seguintes características:
- Quer se beneficiar dos efeitos da globalização e novas tecnologias.
- São líderes mais informais e focam o trabalho em equipe e não a hierarquia de sua organização.
- Investem mais em treinamento das pessoas, pois a competência é a chave para o sucesso. Programas de avaliação de desempenho ou por objetivos, enfatizam resultados alcançados e critérios objetivos de competência. Idade e tempo de serviço não são mais requisitos fundamentais para promoções internas.
- Criam políticas diferenciadas de remuneração e entre os executivos, uma maior dedicação e um melhor desempenho são conseguidos através de "bônus" e "status". Entretanto há maior insegurança e instabilidade no emprego.
Nascida entre 1978 e 1996, a Geração Y ou Geração Net são os jovens profissionais nas organizações atuais. Nascidos em um mundo globalizado, cresceram num período de prosperidade e alta tecnologia. Seus integrantes são confiantes, otimistas e independentes. Gostam de fazer tudo ao mesmo tempo: ver tv, ouvir rádio, falar ao telefone, navegar na internet, pois tem mais facilidade no uso simultâneo dos sentidos. São multidisciplinares e como se demandam, aproveitam melhor o tempo.
Acostumados à tecnologia de informações e comunicações, em especial a internet, romperam as barreiras da distancia e idioma, adquirindo um sentido de unicidade com o mundo. Por isso, tendem a cultuar a tolerância e o respeito às diferenças individuais, aceitando de forma natural a diversidade de raças, religiões e ambientes.
O amplo acesso à informação, de múltiplas fontes e várias vezes contrastantes, permite formar sua própria opinião sem interferências, reforçando sua independência.
Assim como sua antecessora, a Geração X, trabalha para viver, e não vive para trabalhar. Eles não vêem mais sentido em se sacrificarem por um emprego. Esta geração ingressa no mercado com a postura “me diga o que fazer, mas não me questione”, ou seja, aguardam ser orientados, que haja alguém presente que os ocupe regularmente, mas que não entre no mérito de como fazem as tarefas.
Compartilhar é a chave para a retenção deste profissional, pois não gosta de fazer tudo sozinho. Sua motivação é um ambiente de trabalho agradável, um forte sentido de comunidade e também o acesso a uma tecnologia altamente sofisticada.
É certo que num país com grandes desigualdades como o nosso e com altos índices de desemprego, não é fácil conciliar essas características com os modelos de gestão de nossas empresas. Contudo, as diferenças entre as gerações presentes nas organizações têm influenciado expectativas e motivações em relação à autoridade formal e a maneira como as empresas estão se organizando, estimulando um novo modelo de relacionamento no mundo do trabalho. |
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