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Acreditar nos Sonhos
Por Evelyn Seluchiniak
Fotos Márcia Silva

         Muitas pessoas acreditam em seus sonhos, conhecem a si mesmas e sabem se podem superar os desafios da vida, pois tem fé.

         Nossa coluna traz hoje a história de uma pessoa aparentemente muito frágil, mas que na verdade é uma grande batalhadora! Ela participa atualmente do projeto Acessibilidade da Universidade Estadual de Ponta Grossa que visa criar condições físicas de acessibilidade a pessoas com deficiência além de planejar e divulgar ações de educação para a inclusão. Uma dessas ações se concretizou com a Oficina de Sensibilização dentro do evento EDUCAUEPG apoiado pela FOCVM. Evelin atuou como monitora dessa oficina na qual os participantes tiveram a oportunidade de “trocar de lugar” com pessoas cegas, cadeirantes, paralisados cerebrais, além de poder conversar abertamente sobre as dúvidas de como conviver as pessoas com essas necessidades tratando-os de forma inclusiva, sem preconceitos.  Com sua fala e seu jeito meigo, nossa entrevistada emocionou a todos com sua história.

         Nasci no dia 19 de novembro de 1985 em Ponta Grossa. Morei por quase dois anos em Prudentópolis (cidade tradicionalmente rica em cultura ucraniana da qual sou descendente) e depois voltei pra cá.

         Com 6 anos entrei na pré-escola, aos 7 tive meningite e fui internada. No hospital levei soro na veia, na testa e na medula, foi um período difícil para uma criança. Fiquei 2 semanas internada e minha mãe, que me incentivava sempre, acabou me ensinando a ler no hospital com a ajuda de livros.

         Tive alta e fiquei quase três meses sem andar, mas desde o primeiro dia do internamento, a doença prejudicou minha audição. Minha mãe insistiu para me colocar de volta na mesma escola que eu estudava, porém só depois de muita luta, conseguiu. Voltei a estudar e nunca reprovei de ano.

         Aos 11 anos, fiz exames com uma fonoaudióloga que constatou que eu precisava usar 2 aparelhos auditivos. Eles foram adquiridos através de uma doação feita pela prefeitura (aliás, um aparelho auditivo hoje em dia tem o preço de um notebook ).

         Entrei na 5ª. série usando os dois aparelhos e fiquei com eles por uns três anos e daí fiz dois novos. Os que uso hoje são digitais mas, para mim, digo que meus óculos funcionam melhor para a minha vista que os meus dois aparelhos para a minha audição. Lamento, pois adoro ouvir música e me contento em não entender a letra, gosto da melodia a do som dos instrumentos. O que me deixa mais feliz é gostar de ler. Leio desde pequena, “devorava” tudo o que via pela frente, hoje não é mais assim.

         Se não fosse a leitura, eu confesso, hoje não estaria onde estou. Já fiz reabilitação auditiva em um centro especializado por quatro anos, ia duas vezes por semana. Quando entrei no ensino médio, já sonhava em um dia ir para a universidade. Queria ser nutricionista, assistente social, jornalista, psicóloga e veterinária. Tinha que escolher, mas era difícil. Os três últimos cursos da lista ficaram de fora, pois dois deles só tem na Federal em Curitiba e eu queria estudar aqui.

         Em 2005, fiz o vestibular para Pedagogia, pois voltei ao sonho de quando era criança e também me inscrevi no PROUNI para tentar uma vaga no curso de nutrição. Passei em Pedagogia em 6ª colocação. E consegui ser pré-selecionada pelo PROUNI. Resolvi me matricular na UEPG, pois achei mais legal trabalhar em sala de aula do que numa clínica.

         Tenho vontade de poder ajudar a comunidade, não só de deficientes, mas as pessoas em geral. Pois estudei numa escola normal e nunca aprendi libras.
Pretendo um dia fazer pós-graduação em psicopedagogia. E por enquanto trabalhar com educação especial, preferencialmente numa escola para surdos, pois fiz uma grande amizade com eles. Pretendo talvez um dia morar em Curitiba ou quem sabe em Morretes (cidade litorânea), pois adoro viajar.

         Agradeço aqueles que me receberam de braços abertos na UEPG e sei que sempre poderei contar com eles. Torço para que todas as minhas colegas do curso também realizem todos os sonhos.

“O que você faz no mundo é uma coisa sem importância. A questão é, o que você pode fazer para que as pessoas acreditem naquilo que faz.”
Sherlock Holmes

 

 
 
 
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