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Meio Rural resgata sua História
Texto e fotos Michelle Treichel

           Pratos, xícaras, bules, toalhas de renda, um rádio antigo que inexplicavelmente teima em funcionar... essa pode ser uma descrição perfeita da casa de avós daqueles que moram no interior, com suas varandas, pomares e hortas, esse clima rural faz com que até o passar do tempo seja diferente. Vamos conhecer agora a história de um casal de “avós” muito especial.

           Retratar e eternizar a história através de objetos. Os Hennig, no Alto Passa Sete, interior de Candelária, tiveram essa idéia. Eles reuniram artefatos que pertenceram à família desde 1850 e expuseram em um galpão da propriedade. Uma riqueza de antiguidades que poderá vir a atrair muitos turistas para a região, projeta o secretário Jorge Mallmann. Segundo ele, o Museu Rural por si só não tem a força para atrair turistas, mas, inserido em um roteiro que inclua outras atrações, como a própria Ponte do Império, pode se tornar uma boa opção. “O acervo realmente impressiona por resgatar costumes e tradições de gerações passadas com foco no meio rural”, enfatiza.

            Conforme Cláudio Hennig, este é um sonho que se torna realidade. “Minha esposa Marlise e eu sempre tivemos a intenção de aproveitar esses objetos históricos, mas sozinhos não iríamos conseguir”, relata. Ele ainda ressalta a crucial importância dos três dias do curso de Turismo Rural realizados na propriedade pelo SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, no qual tiveram a oportunidade de amadurecer a idéia e pôr em prática a elaboração do museu. “Sempre valorizamos as coisas antigas, elas representam a chance das gerações atuais e futuras de conhecerem uma realidade diferente da sua e aprenderem a valorizar o passado”, comemora. 

            Segundo os proprietários, o Museu ainda não está completamente pronto, havendo muitas coisas para serem feitas, como a identificação de todas as peças e a proteção das intempéries do tempo. Para isso, desejam que a casa, centenária, seja tombada e restaurada, passando a abrigar as peças mais sensíveis do acervo, como os livros em alemão, com registros do século retrasado. Com a reforma da residência, eles pretendem também que os visitantes tenham maior contato com a vida na colônia e conheçam os costumes dos descendentes alemães. Para que isto aconteça estão pensando em um trabalho paralelo, como a comercialização de produtos coloniais desenvolvidos com base na culinária típica alemã.


         Mesmo não estando ainda plenamente pronto, o Museu Rural já está aberto ao público, com visitação gratuita de quarta a domingo. A intenção do município é inserir a propriedade dos Hennig em uma rota de turismo, que deve abranger vários atrativos naquela localidade, como a Ponte do Império e a agroindústria de melado Rodeio da Figueira. 

As raízes de uma família

           Conforme conta Danila Hennig, de 77 anos, a propriedade onde foi montado o Museu pertence à família desde 1850. Com a intenção de fixar residência no Brasil, seu bisavô, Frederico Welsch, veio para Candelária e comprou as terras. Desde então, todas as gerações da família cresceram na localidade. “Meus netos são a 7ª geração a morar aqui”, relata Danila. A residência foi construída pelo pai de Danila, Ernesto Hennig, e é utilizada até hoje.  Para ela, esta permanência e amor às raízes se dão pela beleza e tranqüilidade da localidade. “É muito gostoso de morar aqui e, mesmo antes do Museu, as pessoas já vinham conhecer a nossa morada. Esse lugar é o paraíso”, frisa.

Os Objetos do museu

          Quem for visitar o Museu Rural deve encontrar legítimas preciosidades. Objetos que não contam somente a vida da família, mas abrangem múltiplos significados dentro de um contexto histórico-cultural. São livros, brinquedos, moedas, ferramentas, utensílios domésticos, cerâmicas e curiosidades intrigantes, como ferramentas indígenas descobertas dentro da propriedade. Conheça algumas das peças da exposição:  

CRAVINA –
Pertenceu ao justiceiro Amâncio Correia, que perseguia e matava os que propagavam o mal. Veio parar na família através de Guilherme Trapp, tio de Danila Hennig, que comprou a arma de Correia. Segundo a família, o registro da arma existe até hoje.

CAIXA DE PEÇAS INDÍGENAS – Há muitos anos os proprietários das terras vêm encontrando vestígios indígenas no local. São cerâmicas e principalmente flechas, talhadas em pedra. Algumas delas já foram doadas para o Museu Mauá, em Santa Cruz do Sul.

LIVROS EM ALEMÃO – Legítimas raridades. Esta é a coleção de publicações em alemão guardadas e preservadas pela família. A mais antiga delas é um livro de 1888, intitulado “Über Land & Meer”, em português, Sobre Terra e Mar.

 
     
 
 
     
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