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  Robert Capa: Um nome de guerra
Por Ric Pereira

          Endre Friedman nasceu em Budapeste em 1913. Migrou para a Alemanha, mas com a ascensão do nazismo, refugiou-se em Paris. Em pouco tempo, ficaria conhecido como o maior fotógrafo de guerra do mundo. Foi o único fotógrafo a desembarcar em Omaha Beach com os soldados norte-americanos no dia D e suas chocantes fotografias inspiraram o filme de Steven Spielberg "O Resgate do Soldado Ryan". Seu modo de  agir e o tipo de trabalho que ele fazia revelam   um defensor dos direitos humanos e pacifista.

          Quando os nazistas tomaram o poder, partiu para Paris, onde conheceu André Kertész, David Seymour e Henri Cartier-Bresson. Em 1934, conheceu Gerda Pohorylle, que também fugira da Alemanha, e a amizade entre os dois floresceu. Eles começaram a trabalhar juntos e assumiram novos pseudônimos: ele se tornou Robert Capa e ela, Gerda Taro.

          Capa foi o grande nome da fotografia de guerra, o símbolo de uma geração que fazia questão de ver as coisas de perto e esse era o justamente o seu lema: "Se sua fotografia não é boa o suficiente, você não está próximo o suficiente". Infelizmente o fato de estar mais perto do assunto veio a levar sua vida mais cedo.

          Com uma Leica emprestada e a boa aparência gostava muito de festas nas quais não faltavam belas mulheres. Sua primeira reportagem assinada foi sobre Leon Trotsky – àquela altura já ferrenho opositor de Stalin. Com a ascensão de Hitler mandou-se para Paris onde, por acaso, conheceu um fotógrafo judeu polonês, David Seymour, que trabalhava no Partido Comunista Francês e o apresentou a Henri Cartier-Bresson – com quem mais tarde, em 1947, fundou a agência Magnum, nome de uma famosa champanhe.


           A primeira cobertura de guerra foi a da Espanha, onde conheceu Ernest  Hemingway e de quem se tornou amigo inseparável. Gerda Taro, linda, com um revólver na cintura, morreu em combate.
 
A foto mais polêmica.

           Capa, primeiro, incorporou-se à milícia republicana que combatia os rebeldes de Francisco Franco na Espanha e, em setembro de 1936, fez o seu primeiro clássico de guerra, "A morte de um miliciano" – flagrante tomado a poucos metros de um jovem combatente, segundos antes de ser abatido.

O fotografo Robert Capa

           A foto provocou acirrada polêmica e comentários maldosos acusando o fotógrafo  de usar de artifícios para conseguir boas fotos. Capa respondeu: "Não é preciso usar truques na Espanha, não é preciso pedir a ninguém para posar. As fotos estão ali, esperando que alguém as faça. A verdade é a melhor fotografia". As dúvidas  levantadas pela foto o incomodaram até a morte.



Soldado americano

           A convite da revista Life foi cobrir a guerra na Indochina (mais tarde denominada  Vietnã). Em 9 de maio de 1954 chega a Hanoi para incorporar-se às forças francesas que combatem os guerrilheiros comunistas: "Pode ser que esta seja a última grande guerra", anotou. No dia 25, no sul do país, perto de Thai Binh, salta do caminhão do exército francês e embrenha-se num arrozal para fotografar os camponeses. Uma explosão: ei-lo com as pernas despedaçadas no meio de uma poça de sangue e a Leica na mão.

          Era o fim daquele que se tornou um dos maiores fotógrafos de guerra, mas que ainda inspira muitas gerações hoje em dia e que ficará em  nossas memórias por muito tempo.

 
 
 
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