A riqueza do patrimônio histórico e cultural, as belezas naturais, delicias gastronômicas e o turismo religioso fazem da Itália um dos destinos privilegiados do roteiro internacional.
Roma, a Capital do país, é a cidade que melhor representa as distintas realidades de um dos impérios mais poderosos da humanidade, da atual metrópole cosmopolita e da sede mundial cristã. O comportamento rude do típico italiano passa a ser rótulo figurante diante de 2700 anos de historia que a cidade tem para contar.
Cada rua da cidade nos remete a um tempo diferente, seja ele um passado remoto,a um presente instigante ou a um futuro incerto. Cada olhar lançado é uma nova descoberta em forma de monumentos, praças e mais de 300 fontes espalhadas pela cidade, jorrando muito mais que água pura. São gotas de mundo antigo preservado em um pedaço de terra que guarda um terço do patrimônio artístico mundial.
Por trás das muralhas em ruínas, esconde-se uma cidade com sua essência intacta, e isso só se pode ser justificado pela fé. A mesma fé que fez de Roma a capital mundial do catolicismo, ao anunciar o Vaticano como o menor estado independente do mundo. Cristão ou não, o turista tem a obrigação de conhecer o Vaticano.
Mas o passeio requer tempo e disposição, porque é um rico universo a ser descoberto em, no mínimo, um dia. O conjunto de edifícios, que abriga igrejas, museus, jardins e uma história milenar, está localizado no centro da Capital italiana, atraindo não só adeptos do turismo religioso, como amantes das artes plásticas.
O ponto de partida é a Praça São Pedro, onde já se pode admirar a imponência dos prédios, a riqueza e o luxo ao qual estão associados. É de deixar qualquer um em estado de êxtase, questionando-se realmente havia necessidade para tantos gastos e ostentação, enquanto milhares de pessoas em todo o mundo, morrem por falta de tão pouco. O turista desavisado corre até o risco de deixar a indignação levar embora sua fé. Melhor não criar polêmica, e voltar-se ao complexo religioso em sua estrutura. No centro do Vaticano está a Basílica de São Pedro, a mais importante construção católica do mundo, onde o Papa realiza suas cerimônias. Ao todo, são mais de 180 metros de comprimento e 132 metros de altura do ponto mais alto, o Domo de São Pedro.
A Basílica reúne 11 capelas, 45 altares e uma vasta coleção de obras de arte renascentista e barroca, com destaque para Pieta de Michelangelo. Mas difícil mesmo é estimar a riqueza guardada no Museu do Vaticano, um dos maiores aglomerados de arte e cultura do mundo, que abriga obras do Cristianismo, partituras musicais, documentos de grande valor para a Igreja Católica e artes plásticas que datam de diversas épocas e estilos. Dentro do museu, a Capela Cistina é o que mais atrai os turistas. A arte ilustrada nas paredes retrata as vidas paralelas de Cristo e Moises, com assinatura de Botticelli e Domenico Ghirlandaio, enquanto o mestre Michelangelo foi encarregado de decorar a admirável abóbada.
Em Roma, o acesso a todas as igrejas é gratuito, mas sempre existe uma desculpa para cobrar ingresso. Entrar na Basílica de São Pedro não custa nada, mas para subir até a cúpula, passando por 320 degraus e corredores estreitássemos e ver Roma do alto, custa 7 euros. Conhecer a Capela Cistina também é "gratuita", mas a questão é que a capela é localizada dentro do Museu do Vaticano, cuja entrada custa 12 euros. Também se paga para visitar os túmulos dos Papas João Paulo I e II, ou chegar perto dos restos mortais de São Pedro.
Não tão importante quanto o Vaticano, mas uma visita indispensável, é o Coliseu.
Mas ir a Roma e não ver o Coliseu representa um pecado maior do que não assistir a missa papal aos domingos. A mais reconhecida obra arquitetônica de Roma e também um dos destinos preferidos de turistas de todo o mundo. Construído durante o reinado do Imperador Vespasiano, a estrutura levou 10 anos para ser concluída, com o objetivo de oferecer uma opção de entretenimento para os romanos, que viviam de festa, bebida e diversão gratuita. Durante séculos, a arena do Coliseu foi palco de batalhas entre gladiadores que lutavam até a morte e lutas de animais selvagens. Cerca de 2 milhões de pessoas morreram, entre escravos, criminosos e profissionais. Os primeiros não tinham opção, eram obrigados a lutar até a morte.
Os criminosos ainda poderiam escolher entre lutar ou não. E os profissionais eram homens comuns, livres, que abdicavam de sua liberdade em busca do dinheiro, prestigio, fama e mulheres que a vitória lhes trazia.
Só para ter uma vaga idéia da grandiosidade da obra, o prédio tem 80 entradas, oitenta arcos separados por colunas e, abaixo do piso de madeira, existem vários túneis subterrâneos onde as estrelas das lutas se preparavam para as performances.
Depois de 400 anos sediando as lutas, com a queda do Império Romano, o estádio foi abandonado por mais alguns séculos, e sofreu danos com a ação do tempo e de terremotos, da negligencia do governo e da ação de vândalos. A estrutura ainda passa por processo de restauração e, mesmo em ruínas, e uma visita que impressiona e emociona. Sentar nas arquibancadas e fechar os olhos, chega a dar a sensação de ouvir os aplausos de 55 mil pessoas.
Ao lado do Coliseu foi erguido o Arco de Constantine, um dos últimos monumentos construídos pelos romanos. Apenas mais uma obra-de-arte a caminho do Palatino. O Monte Palatino era um dos sete montes de Roma e, como reza a lenda, foi lá que os primeiros habitantes construíram suas cabanas segundo as ordens de Rômulo. Anos depois, o monte se transformou em um importante ponto de encontro, onde os romanos se divertiam depois do trabalho, onde flertavam com as pretendidas e onde faziam suas negociações, trocando produtos ou moedas. Depois se tornou área residencial, incluindo Palácios de imperadores famosos como Calígula e Nero. Do alto do Palatino, pode-se avistar o Fórum Romano, o centro de referencia da política, religião e comercio de Roma. Depois de levar 900 anos para ser construído, o Fórum perdeu sua importância com o declínio do Império e foi desestruturado pelos roubos de objetos de valor. Entre as ruínas presentes no Fórum, destaque para o arco de Severo Sétimo, o templo de Saturno e o Templo de Julio César. Do alto da outra extremidade do Palatino, pode observar o Circo Máximo. O que, há muito tempo, era a estrutura mais impressionante da Roma Antiga, onde cerca de 250.00 pessoas se reuniam para assistir corridas de charretes imperiais, hoje não passa de um amplo campo vazio, sem ao menos pedras ou rochas, que foram saqueadas na Idade Média e no Renascimento.
Diante de tantas ruínas, o Pantheon é o único monumento pagão que permaneceu intacto na cidade. O prédio foi construído em homenagem ao imperador Augusto e é onde estão sepultados vários imperadores de Roma, como Victor Emanuel II e Humberto
De uma cidade onde muito de sua arquitetura lembra a morte, mas ainda assim, exala vida por todas as ruas. Como se não bastassem os túmulos que são atrações nas mais diversas catedrais e museus, ainda existem as catacumbas. Os antigos cemitérios subterrâneos, usados por algum tempo pelas comunidades cristãs e judaicas, começaram apenas como sepulturas, onde os cristãos se reuniram para celebrar ritos fúnebres, aniversários de ícones ou de mortos.
Depois do passeio literalmente monumental, o melhor é relaxar num fim de tarde, e passear pelas praças de Roma, como a Piazza de Spagna, sentar nas escadarias da Spanish Steps e admirar o movimento da rua em frente às lojas de Dior, Dolce&Gabana e Versace, e ainda ser surpreendido por homens distribuindo rosas ao por-do-sol. Seguindo o caminho de uma noite romântica, passando ruas com movimentados restaurantes, a próxima cena são casais se deliciando com vinhos e promessas de amor eterno, ao som dos violinos dos músicos que passam pelas ruas em busca de alguns trocados. Se a intenção é que este momento se eternize, melhor procure a Fonte de Trevi, a mais famosa entre as 300 da cidade, onde, de acordo com a tradição, o turista joga uma moeda e terá seu desejo realizado. Com o pedido atendido ou não, a verdade é que a fonte é um dos passeios noturnos mais encantadores, com centenas de turistas lutando por um pedaço de chão para registrar o encontro com a estatua de Netuno puxada por cavalos alados.
Se Netuno voou ou não, não importa. O que importa é que o turista pode ser levado aos ares pelo Balão de Roma, localizado na Villa Borguese.
Uma charmosa área verde onde estão típicos cipestes romanos, lagos e alamedas bucólicas, além de esculturas de renomados artistas italianos.
Nostalgia trazendo lembranças de um passado da civilização que dominou, por vários séculos, toda a humanidade. A Cidade Eterna não recebeu o titulo por acaso. Mesmo em ruínas, os ares românticos da cidade fazem com que ela se comporte como o amor. Que seja eterno enquanto dure, mesmo que seja em forma de ruínas.