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Não sei dizer como começou, se foi por curiosidade, más companhias, personalidade fraca, de quem foi a culpa, se é que existe algum culpado nisso. Só sei que meu irmão se envolveu com as drogas quando completou 18 anos e começou a prestar o serviço militar. De lá pra cá, nossas vidas tomaram outros rumos, nunca imaginamos passar por tudo o que passamos, nunca mais fomos os mesmos.
Eu e meus irmãos recebemos a mesma educação, meus pais são pessoas simples, humildes e dignas, nunca puderam imaginar um dia ter um filho envolvido com drogas, mas aconteceu e eles não estavam preparados prá enfrentar isso, aliás, ninguém da família estava.
De repente ele começou a chegar em casa cada vez mais tarde, às vezes não chegava, só aparecia no dia seguinte e sempre com alguma desculpa na ponta da língua, com os olhos vermelhos, isso sempre me chamou a atenção, porque eu sabia, eu não queria aceitar, mas eu sabia, que ele estava se drogando.
Todas as vezes que tentei conversar com meus pais sobre isso, eles diziam que não podia ser, que não iriam suportar, e na verdade eles fingiam não entender o que acontecia, porque não sabiam lidar com a situação. E foi assim por um tempo, eles preferindo acreditar que era uma crise de adolescente. Até que ele foi preso pela primeira vez. Pronto! O mundo desabou sobre nossas cabeças, de repente, estávamos envolvidos com a polícia, não sabíamos como agir. Queríamos vê-lo, saber notícias, tentar entender o que tinha acontecido. Era uma dor no coração que parecia que iria morrer se tentasse respirar, era uma angústia tão forte, que só de pensar dói.
Ele foi preso com mais dois amigos na fronteira do estado, ficou detido em outra cidade, em outro estado, foram acusados de serem traficantes, ficaram presos 5 dias, 5 longos e dolorosos dias. Os policiais cometeram muitos erros nessa prisão, o que foi a nossa sorte. O advogado conseguiu provar que tinha sido uma prisão forjada.
Moramos numa cidade pequena, onde todos se conhecem, e se metem na vida de todos. Não foi fácil enfrentar os amigos, os vizinhos, os familiares, o trabalho, porque a versão nunca era o que tinha ocorrido de verdade, mas sim, o que eles tinham ouvido de outros.
E ninguém conseguia tirar de dentro dos nossos corações a dor de vê-lo algemado e atrás das grades, quando ele chegou em casa, foi uma festa, era tanta alegria, mas tanta alegria, que parecia que íamos explodir, era uma benção de Deus, ter o meu irmão conosco novamente são e salvo e com o nome limpo.
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