Um dos maiores problemas da atualidade é o surgimento de muitas doenças provocadas pela vida moderna. Uma delas é a obesidade infantil. Tempos atrás um bebê gordinho era sinal de saúde, mas hoje em dia isso pode significar motivo de preocupação. O depoimento a seguir mostra que os pais não estão preparados para enfrentar essa situação, nem mesmo alguns médicos, quer seja por incapacidade de diagnosticar precocemente esse distúrbio, quer seja na falta de preparo para orientar corretamente a família. |
Eu tive uma gravidez normal até os 5 meses, quando percebi que estava perdendo líquido, mas o médico disse que não precisava me preocupar. Quando estava com 7 meses de gravidez, levei um susto muito grande: fui assaltada e acho que, por conta disso, meu filho nasceu prematuro. Mesmo assim, correu tudo bem porque ele era forte, nasceu com 2,200 kg e foi ganhando peso normalmente.
Desde bebê Rodrigo* não gostava de comer frutas, verduras, sopinhas; ele gostava de comer o que os adultos comiam. Até pouco tempo ele comia, no café da manhã, omelete, virado de feijão e gostava muito de café preto, também. Ele sempre foi gordinho, mas a médica que o atendia nunca viu nada de anormal com o seu peso. E como um dos meus filhos mais velhos também era meio gordinho quando criança e depois emagreceu quando ficou maiorzinho, eu pensava que o mesmo poderia acontecer com Rodrigo.
Mas quando ele tinha uns três anos mudou a médica do postinho e o médico que entrou no lugar dela pediu para fazer alguns exames. Disse que o nível de colesterol dele estava alto, sua pressão também e, como se não bastasse, estava com início de anemia. O médico do posto de saúde foi muito bruto comigo e com meu filho, dizendo que o menino é gordo demais e precisa emagrecer de qualquer jeito. Rodrigo saiu de lá assustado e chorando muito. Eu sei que a situação do menino é grave, mas o médico também não foi correto, se ele queria brigar comigo, que fizesse isso longe do menino, porque o Rodrigo saiu de lá traumatizado.
Daquele dia em diante ele começou a ficar angustiado e cheio de problemas. Quando estávamos ainda na mesa, ele terminava de comer e começava a querer chorar e dizer: “mamãe estou passando mal”. Se eu não o tirasse da mesa, vomitava ali mesmo. Foram 2 meses desse jeito, e eu não sabia mais o que fazer, a quem recorrer, porque o médico não encaminhou para nenhum psicólogo, nem especialista, e não posso pagar médico particular. Pra a gente que depende de posto de saúde, é fogo!
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