primeira palavra
   in focvs
   direto no olhar
   seus direitos
   missão fotográfica
   focvm esportes
   fotograma
   clicando pelo mundo
   dicas
   saúde em close
   ação positiva
   portfólio
   imagem com sabor
   fotorepórter
   visão do leitor
   fórum
 
 
direto no olhar
Amor de Mãe
Por: Lisiane K Gonçalves e Vanessa G Tavarnaro
 

Neste número apresentaremos duas facetas de uma mesma questão: a adoção. Abordaremos a visão da mãe adotiva e da “mãe substituta”, que cuida da criança enquanto aguarda decisão judicial.

 

     Marília¹ é uma mãe adotiva que nos relata momentos de alegrias, tristeza e angústia.

foto: Benjamin Earwicker

     Procurei uma instituição e fiquei por dois anos na fila à espera para adotar. A assistente social me ligou falando sobre um menino de um ano, retirado da família por maus tratos e negligência. Fui até a instituição por algumas vezes. Depois disso, levei o Felipe para minha casa, para passarmos por um período de adaptação.

     De tempos em tempos a assistente social nos visitava e percebia que o Felipe crescia saudável e feliz. Em uma dessas visitas comentamos sobre a doença de meu marido, e que, possivelmente nosso filho cresceria sem pai.

     Inesperadamente recebi a notícia de que o Felipe teria que retornar à instituição para esperar outros interessados em sua adoção. Naquele momento minha vida perdeu completamente o sentido. Minha única esperança se voltava para a decisão de um juiz, que eu esperava que agisse com bom senso.

     Todos os dias eu ia até o abrigo levar roupas ou alimentos para que nada lhe faltasse. Meu marido faleceu antes de saber que nosso filho retornaria ao lar. Hoje o Felipe está com 9 anos.

     Do outro lado da questão nos deparamos com Mariane: ela é uma mãe social que trabalha há dois anos em uma instituição que abriga crianças vítimas de abusos, maus tratos ou negligência. Mariane nos conta um fato que a marcou muito:

      A Flávia chegou aqui com três dias de vida, chorava muito e precisou de cuidados médicos. Com o tempo, depois de muita atenção e cuidados, ela foi se desenvolvendo. Quando ela começou a falar, me chamava de mamãe. Pensei e até procurei um dos responsáveis por adoção para ficar com ela; infelizmente eu não tinha o perfil de uma mãe adotiva. Não tinha renda para oferecer a ela uma vida confortável e não era casada. Mas eu sabia que cuidaria bem dela, pois meu amor crescia cada vez mais.
 
     Chegou a papelada para sua adoção quando ela tinha uma no e meio, e ela me deixou quando tinha um ano e sete meses. Nunca mais a verei, pois ela foi para fora do país, não sei bem pra onde; só espero que ela viva sempre feliz e que sua nova família cuide bem dela.

     Todos os dias crianças são deixadas em instituições e muitas poderiam estar vivendo confortavelmente em lares estruturados. Esses depoimentos demonstram que é possível modificar essa situação.


¹ Os nomes são fictícios
Pág. 1
Indique esse site para um amigo!