Marília¹ é uma mãe adotiva que nos relata momentos de alegrias, tristeza e angústia.
Procurei uma instituição e fiquei por dois anos na fila à espera para adotar. A assistente social me ligou falando sobre um menino de um ano, retirado da família por maus tratos e negligência. Fui até a instituição por algumas vezes. Depois disso, levei o Felipe para minha casa, para passarmos por um período de adaptação.
De tempos em tempos a assistente social nos visitava e percebia que o Felipe crescia saudável e feliz. Em uma dessas visitas comentamos sobre a doença de meu marido, e que, possivelmente nosso filho cresceria sem pai.
Inesperadamente recebi a notícia de que o Felipe teria que retornar à instituição para esperar outros interessados em sua adoção. Naquele momento minha vida perdeu completamente o sentido. Minha única esperança se voltava para a decisão de um juiz, que eu esperava que agisse com bom senso.
Todos os dias eu ia até o abrigo levar roupas ou alimentos para que nada lhe faltasse. Meu marido faleceu antes de saber que nosso filho retornaria ao lar. Hoje o Felipe está com 9 anos.
Do outro lado da questão nos deparamos com Mariane: ela é uma mãe social que trabalha há dois anos em uma instituição que abriga crianças vítimas de abusos, maus tratos ou negligência. Mariane nos conta um fato que a marcou muito:
A Flávia chegou aqui com três dias de vida, chorava muito e precisou de cuidados médicos. Com o tempo, depois de muita atenção e cuidados, ela foi se desenvolvendo. Quando ela começou a falar, me chamava de mamãe. Pensei e até procurei um dos responsáveis por adoção para ficar com ela; infelizmente eu não tinha o perfil de uma mãe adotiva. Não tinha renda para oferecer a ela uma vida confortável e não era casada. Mas eu sabia que cuidaria bem dela, pois meu amor crescia cada vez mais.
Chegou a papelada para sua adoção quando ela tinha uma no e meio, e ela me deixou quando tinha um ano e sete meses. Nunca mais a verei, pois ela foi para fora do país, não sei bem pra onde; só espero que ela viva sempre feliz e que sua nova família cuide bem dela.
Todos os dias crianças são deixadas em instituições e muitas poderiam estar vivendo confortavelmente em lares estruturados. Esses depoimentos demonstram que é possível modificar essa situação.
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