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A Amazônia está em evidência, não somente pelo aquecimento global, pelo desmatamento, mas porque o Brasil descobre uma parte de sua história que ainda não era muito conhecida para os próprios brasileiros. Em função desse desconhecimento, muitas lendas são criadas, multiplicadas na internet e tomadas como verdades. Direto no Olhar traz nesta edição o depoimento de Patrick, nascido em Roraima. Ele nos conta alguns aspectos da vida lá, desmistificando inclusive alguns boatos que andaram circulando na rede nos últimos tempos.
Focvm - Ouvi dizer certa vez que dois rapazes foram comer em uma churrascaria em Boa Vista e, quando foram pegar salada, alguém gritou para eles não pegarem senão iam pagar mais caro. É verdade que verdura é mais caro que carne em Roraima?
Patrick - Estou até assustado por você dizer que a verdura é mais cara que a carne em Roraima. O que acontece é que a área de produção da agricultura foi demarcada como área contínua e hoje pertence aos índios e é protegida pela FUNAI. Isso complicou a situação do Estado, porque 70% da área do Estado pertence à área indígena e só 30% stá livre de áreas demarcadas. Isso não é bom porque o Roraima fica dependente de outros Estados.
Focvm – É verdade que o Estado foi tomado por pessoas de fora?
Patrick - Na capital 80% são mesmo pessoas de outros lugares, a maioria do Rio Grande do Sul, São Paulo, principalmente de gente do Nordeste, e a população local vive mais em áreas fora da capital.
Focvm - E na área de empregos, qual o setor que mais emprega?
Patrick - Esse também é um grande problema porque a população depende exclusivamente do governo, que detém o monopólio de campanha. Eles têm o povo em suas mãos e usam isso como poder político. As pessoas dependem do governo para sobreviver e em épocas de eleição sempre há garantia de votos, já que não existem indústrias e empresas que dêem empregos. E isso vira uma bola de neve: governo após governo fazendo a mesma armação e essa é minha indignação; eu, como roraimense, fico triste com essa situação.
Focvm – E o turismo no Estado, não é incentivado?
Patrick - A área turística de Roraima é uma coisa indescritível. Temos o monte Roraima, que tem uma das maiores jazidas de diamantes do mundo, uma riqueza sem igual, uma grande quantidade de minérios e plantas medicinais que despertam um grande interesse dos americanos e europeus. O turismo está sendo pouco explorado, mas tem muita coisa bonita por lá, como a Pedra Pintada, que é um marco no Estado e tem desenhos indígenas milenares; cachoeiras como a do Bem Querer, o Grande Rio Branco e muitos outros. Mas infelizmente o monopólio do governo não deixa desenvolver. O turista que visita Roraima é na maioria da Venezuela ou das Guianas e Suriname e vem também gente do Estado do Amazonas. Mas fica resumido a isso.
Focvm – Existe uma estrada que atravessa a reserva indígena de Waimiri-atroari, e há relatos que não se pode atravessá-la porque eles não permitem, o que você sabe sobre isso?
Patrick - Na época em que eu estava lá, antes da demarcação, todos podiam transitar nessa área livremente. Mas como já estou aqui em Londres há dois anos e meio, desconheço essa informação, mas se isso estiver acontecendo é muito triste.
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