Edição 20
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  ação positiva
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  fotorepórter
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ação positiva
 

       O trabalho voluntário era algo despercebido por mim alguns anos atrás. Eu tinha uma vida muito boa e confortável, uma esposa que adorava e um filho muito amado.A minha vida se restringia muito a família. Eu fazia tudo para agradar minha esposa e meu filho. Tudo girava em torno deles. Eu via o trabalho voluntariado como algo bem distante, algo  que não combinava comigo. Nunca tive a preocupação de me informar ou colher informação a respeito disso.Como faço parte de um centro espírita, fui convidado certa vez para trabalhar como voluntário em uma creche, porém eu pensei: "trabalhar como voluntário não é comigo, ainda não chegou a hora!".    Mas que "hora" seria essa?

       Porém certo dia a minha vida começou a mudar! A minha esposa começou a ficar deprimida e queria o divórcio. Ela alegava que não tinha mais sentido em estar ao meu lado, pois não me amava mais. O meu filho tinha três anos naquela época.  Ela se sentia tão deprimida que queria ficar distante de mim e do meu filho.Conclusão: ela foi para a casa dos pais e eu tive que ficar com ele por seis meses. Neste meio tempo ela pediu a separação. Eu não conseguia entender a situação. Parecia que tudo tinha  desmoronado para mim. Precisava mais do que nunca ter serenidade e equilíbrio naquele momento para suportar todo aquele martírio. Procurava ajuda, porém os amigos se afastaram. Senti falta de minha falecida mãe naquela hora. Sabia que existia uma solução para aquele trauma. Sabia que Deus queria me mostrar algo, contudo eu não conseguia enxergar. Mesmo com todo o conhecimento espírita que tinha  comecei a ficar deprimido; perdi o sono, não entendia o processo da vida, sentia um vazio no coração.

       Até que certo dia resolvi, espontaneamente, ir para a Casa Fraternal Maria de Nazareth, em Santo André. Eles trabalham com assistência as crianças e moradores carentes,  ajudando na educação moral, social, educacional, assistência médica, jurídica,  alimentar e atividades para integrar os carentes à sociedade.O que eu poderia fazer? Foi muito simples. A instituição possui cursos de aperfeiçoamento em várias áreas da educação. Resolvi trabalhar como voluntário lecionando Inglês para jovens e adultos. Fui acolhido pela casa,recebido com amor pelos funcionários e trabalhadores. Eu sentia que
existia uma energia maravilhosa na casa. Senti paz no coração e aconchego.

       Logo que comecei a trabalhar tive a oportunidade de ver um outro mundo. Um mundo que jamais pensei em conhecer e muito menos conviver. Tive contato com crianças e jovens órfãos de pai, mãe ou se possuem muitos estão presos ou estão no mundo das drogas e prostituição. A minha vida era um paraíso comparado com a deles. Eu comecei a agradecer pelo meu trabalho, a possibilidade de dar uma boa educação ao meu filho, a minha casa, minha saúde e todo conforto que tinha e não percebia. A reciprocidade dos alunos foi maravilhosa. Fiquei impressionado com a educação e o respeito deles.

       Pensei que ia dar aula para alunos rebeldes e "maloqueiros", mas estava errado.  Jamais tive que parar uma aula para chamar a atenção por motivo de bagunça.  Eles são educados e atenciosos. Concluí que eles estão na casa não somente pelo  ensino didático, mas algo muito além. Eles precisam de amor.Muitos se sentem triste em voltar para casa, pois eles temem o que vão encontrar. Para mim o voluntário tem uma responsabilidade muito forte. A grande maioria são alunos jovens, sem esperança no futuro, com seus corações amargurados pela dor, necessitam ser ouvidos e precisam de uma palavra que os aliviem da dor.

       O voluntário tem que ter estrutura para não se deixar envolver por problemas dos alunos. Eu procuro dizer a eles que o voluntário também tem problemas familiares e sociais e que muitas vezes também precisam de ajuda. Talvez o enfoque seja diferente, mas são problemas em que todos, presentes neste "teatro da vida", também precisam de ajuda.Com responsabilidade e dedicação o voluntário, passa a crescer interiormente para a vida. O que é crescer para a vida? É ter um entendimento para superar o egoísmo, o orgulho, o apego e o melindre pelas perdas mínimas de nossa vida material. O voluntário tem que entender que o necessitado é a "chave" para o crescimento moral, paz espiritual e superação das atribulações do dia a dia com esta prática da caridade.

 
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