Edição 20
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O Grande Salto de Aída dos Santos
Ex-atleta olímpica abre instituto para crianças carentes
Por: Newton César Santos
 

       Mais do que a prática esportiva em si, o principal objetivo é transmitir noções de cidadania às crianças. Foi esse o pensamento que motivou Aída dos Santos a criar o projeto social que leva seu nome, e que se desenvolve, desde março deste ano, em dois núcleos: Niterói e São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro. "O instituto é um grande sonho. É um novo desafio, que vem se somar a todos os desafios que já enfrentei em minha vida", declarou a ex-atleta às vésperas da inauguração da entidade.

       Aída dos Santos foi a única atleta brasileira que participou dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964. Em sua modalidade, salto em altura, ela terminou a competição em quarto lugar - feito que até hoje se constitui no melhor desempenho olímpico feminino individual do atletismo brasileiro.

       A sonhada medalha não veio, é verdade, mas a simples presença na delegação do Brasil já foi uma vitória para Aída. Nascida de família pobre e com poucos recursos, ela é exemplo de que o esporte, aliado à perseverança, pode levar as pessoas a alcançarem seus sonhos. No Morro do Arroz, em Niterói, onde foi criada, Aída passou fome muitas vezes e em várias ocasiões apanhou do pai embriagado. Mesmo contra a vontade da família, que não via futuro para a menina no esporte, Aída decidiu se dedicar desde cedo ao vôlei e ao atletismo. Acabou se destacando mais nas pistas do que nas quadras, e escolheu o salto em altura para se especializar.

       Mas as coisas não foram fáceis para ela. Aída se recorda de momentos em que foi agredida pelo pai porque chegava em casa com medalhas, ao invés de dinheiro. Mas o sonho falou mais alto, e ela não desistiu de treinar e se dedicar à carreira esportiva. Na verdade, "carreira esportiva" é força de expressão, uma vez que na juventude ela chegou a trabalhar em quatro lugares diferentes, no mesmo período, para poder ajudar a pagar as despesas de sua casa. E ainda tinha de treinar. Nada indicava um futuro esportivo glorioso até o dia em que, em uma competição realizada na região do ABC paulista, em 1964, ela obteve o índice olímpíco para o salto em altura. A vaga para Tóquio estava assegurada e, com ela, cresceram as esperanças e possibilidades de sucesso da menina pobre do interior do Rio.

       Além do quarto lugar no salto em altura nas Olimpíadas de Tóquio (1964), Aída também obteve medalhas de bronze no pentatlo feminino nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg (1967) e de Cali (1971).

O projeto social

       Em seus dois centros, o Instituto Aída dos Santos desenvolve atividades de atletismo e voleibol. O núcleo de Niterói funciona em dois locais: o atletismo na pista do Campus de Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, e o vôlei na Concha Acústica, no Centro. No centro de São Gonçalo, por sua vez, somente se desenvolvem atividades de atletismo, na Fazenda Colubandê.

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