Edição 20
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olho mágico
A TV e a Cultura
Por: Márcia Silva
Fotos: divulgação, ilustração Julia Gojtan
 
Clube da Luta - a estética da violência

       Na edição anterior convidamos o leitor a pensar um pouco sobre o papel da televisão em relação à formação de uma cultura da inclusão de pessoas com necessidades especiais. Procuramos mostrar que essa temática embora se apresente como nova, já era tratada há muito tempo, e que a cada momento foi mostrada conforme era vivenciada na própria sociedade, havendo um movimento de múltipla influência, ou seja: tanto a tv influencia a sociedade, quanto é produto dessa mesma sociedade.

       O tema é polêmico, eu sei, e gostaria de colocar mais um pouco de pimenta nesse debate, abrindo um espaço para pensar um pouco a respeito da relação entre violência e televisão. Numa semana em que tivemos vários atentados com atiradores que fizeram disparos em locais públicos. O que é isso? De onde vêm essas pessoas? O que as faz agir dessa forma?

       Essa temática não deve ser esgotada aqui. Até porque os estudos sobre isso são muitos e com resultados complexos e contraditórios.

       A maioria dos estudiosos concorda em dizer que não se pode estabelecer uma relação direta entre atos violentos e a exposição a programas de tv. No entanto, algumas pesquisas apontam que a exposição a longo prazo a um determinado tipo de produção pode influenciar a audiência.

       Educadores brasileiros vêm se queixando há tempos de atitudes de agressão e desrespeito de seus alunos (especialmente os de classe média/alta). O fenômeno de bullying vem aumentando dia-a-dia.

       Sempre que penso nos processos de intimidação que estão ocorrendo na escola brasileira hoje, lembro dos filmes americanos que passavam “inocentemente” na sessão da tarde, retratando episódios de intimidação entre alunos de diversas idades nas escolas. O roteiro incluía sempre os fortões que agrediam os mais fracos, exigindo pedágios, agressão gratuita só porque a pessoa era “novata”. Ou ainda eram os “populares” que humilhavam os “fracassados”.

Eu a Patroa e as crianças, seriado baseado na filosofia winer x loser

       Mesmo criança, eu achava aquelas atitudes muito desparatadas, onde já se viu agredir alguém só porque é novo no grupo?! Mas quando isso começa a aparecer nas produções brasileiras, especialmente para jovens é sinal que de alguma forma essa “cultura” já se instalou entre nós.

       O fenômeno não é novo, a literatura já coloca casos de intimidação entre professores e alunos, alunos e alunos, mas entre os anos de 1978-93 o pesquisador norueguês Dan Olweus iniciou investigações sobre o problema dos agressores e suas vítimas, embora não se verificasse um interesse das escolas sobre o assunto. Já na década de 80, três rapazes entre 10 e 14 anos, cometeram suicídio. Estes incidentes pareciam ter sido provocados por situações graves de BULLYING, despertando, então, a atenção das instituições de ensino para o problema.

 
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