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A produção cultural das comunidades da floresta - índios, quilombolas, ribeirinhos e populações extrativistas - exige uma condição dada pelo meio ambiente que define sua territorialidade.
Essa territorialidade não é apenas física, é o conjunto das relações simbólicas do povo que ocupa aquele território e mantém suas tradições culturais desenvolvidas naquele ambiente ou lugar.
Essa territorialidade é o que sustenta suas redes de relações apoiadas na reciprocidade e ajuda mútua.
Quando se rompem essas condições e essa rede de relação social, cultural e simbólica tem-se a erosão cultural. Indicadores dessa erosão são os altos índices de carência (carência de relações, carência de identidade, carência de símbolos, carência de afeto entre as pessoas) levando alguns à loucura, inclusive ao suicídio e à morte por fome.
Essa rede de relações existe naturalmente em algumas de nossas comunidades. E é assim que estas comunidades têm se mantido por décadas de geração a geração.
Nas últimas décadas, têm surgido redes de indivíduos e grupos de pessoas ativas na defesa dessa territorialidade. São pessoas ligadas a demandas destas comunidades tradicionais, apoiadores e parceiros de diferentes iniciativas locais. Para estes parceiros a proteção do meio ambiente e dos valores que mantêm estas comunidades seguras de sua identidade e autonomia são a garantia de qualidade de vida e futuro melhor para todos.
Todos estes símbolos criativos e afirmativos da identidade local e regional, que encontram eco nesses grupos de apoio, refletem como espelhos uma imagem de afirmação e auto-estima que impulsiona as mudanças positivas, na busca de uma vida melhor para todos, e mais cuidado com a proteção da natureza.
Quando as comunidades encontram eco nos grupos de apoio, a erosão cultural diminui e se apresentam valores afirmativos, garantindo a fartura e a abundância, substituindo a carência.
Quando as comunidades têm reconhecimento de seus símbolos, elas podem reafirmar suas culturas e a percepção de que são viáveis.
Uma função da Rede Povos da Floresta é alimentar o fluxo entre estas comunidades de informação e grupos de apoio e solidariedade a ponto de não deixar nenhum furo nessa rede.
Canal franco, aberto, para intercambio. Via de trânsito rápido e de mão dupla.
A Rede Povos da Floresta é uma iniciativa voltada para o fortalecimento institucional das ações de todas essas comunidades diante da pressão enorme que sofrem para saírem de seus territórios de origem.
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