Edição 24
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Ganhadores X Perdedores: identificações ideológicas através de “inocentes” programas de TV
Por: Márcia Silva
Fotos: Divulgação Rede Globo
 
LOGO Gran Hermano Argentino

       Há algum tempo abordamos nesta coluna a questão da filosofia de “ganhadores e perdedores” que perpassa a produção cultural estadunidense, especialmente a de seriados televisivos.

       Considerados como de classificação livre, muitos seriados “inocentes” usam a imagem da família como pano de fundo para relações não solidárias (filhos que só obedecem aos pais mediante suborno, colegas de trabalho que  têm como único objetivo derrubar os concorrentes, ridicularização dos “diferentes” – estudiosos, pobres, entre outros).

       Recentemente, um artigo de César Hazaki¹ circulou pela internet abordando a relação entre “ganhadores/perdedores” e o par “inclusão/exclusão” presente no programa “Gran Hermano” que na versão brasileira tem o nome de Big Brother Brasil (BBB). Para Hazaki essa relação se identifica com o modelo social vigente.

       Dessa forma, para este autor, o programa contribuiria para mobilizar seus telespectadores a aderir de maneira apaixonada a uma “cultura del sometimiento”. O programa poria assim em evidência um darwinismo social, segundo o qual “solo aquellos que progresan llegan finalmente a sobrevivir y son los seleccionados de su generación”. Haveria aí uma clara divisão entre “ganhadores” e “perdedores” que estabelece como prêmio a inclusão social para os primeiros e o desaparecimento da vida comunitária para os segundos.

  Gran Hermano

       Quando o público assume o papel de protagonista nesse cenário, se constitui como consumidor e, em sua subjetividade, se dão identificações que o levam a fazer parte do projeto. Neste, há um “adentro” e um “afora”. O consumidor-votante atua com paixão contribuindo com o seu voto (entre mil outros) para a exclusão de alguém. O excluído, porém, se encontraria nessa situação por suas próprias dificuldades ou limitações. O drama da exclusão social torna-se responsabilidade única e exclusiva dos indivíduos, pois poderiam ter permanecido caso tivessem feito escolhas acertadas, ou tido comportamentos corretos. Não se questiona aqui as regras do jogo, a exclusão (jogo) se naturaliza ao se apresentar como “escolha errada” do excluído.

¹Extraído do artigo “La ordalía mediática de la exclusion” que se apresentará no próximo número da revista Topía. Mais informações no site www.pagina12.com.ar

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