Edição 25
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missão fotográfica
 

F - Na Amazônia você passou por algum momento de perigo na floresta?
AV - Algumas vezes, peguei um “banzeiro” no meio do rio. Num belo final de tarde, o sol começando a se por, de repente nuvens ameaçadoras no horizonte apontam para a tempestade que está para chegar. Minutos depois, as águas se manifestam, com ondas de mais de um metro de altura. O barco balança, todos se seguram como podem, muitos passam mal, enquanto que eu, amarrado num mastro na popa da embarcação, tento fotografar o espetáculo de raios que se descortina ao longe.  Medo e euforia se misturam e acabam se anulando. Na floresta mesmo, nunca passei por nenhuma situação de real perigo.

F - Qual o método que você usa para transportar seus equipamentos pelos rios sem risco de perdê-los?
AV - Não apenas nos rios, mas também na floresta, é fundamental protegê-los da chuva e das altas temperaturas e umidade. Quando ainda utilizava película, eu transportava os filmes em caixas de isopor com gelo, tanto os virgens como os já expostos.
Já tive problemas sérios de equipamentos eletrônicos (câmeras fotográficas e de vídeo) simplesmente pararem de funcionar. Ou seja, é necessário ter sempre a mão equipamentos que possam operar no modo manual. Acredito que hoje a tecnologia já tenha melhorado e possibilitado melhor acomodação para situações adversas.

F - Belém e conhecida por ter o maior número de fotógrafos por metro quadrado, Você tem planos de fazer algum trabalho por lá, ou mesmo alguma parceria?
AV - No ano passado participei do Arte Pará, com a instalação “Varais”. Conheço alguns fotógrafos de lá, mas não tenho planos imediatos de trabalho.

F - Como foi a sua convivência com Oiticica, ele influenciou seu trabalho?
AV - Conheci o Hélio desde pequeno. Quando eu tinha seis anos de idade, ele vinha em minha casa me dar aulas de arte. Aprendi a pintar, criar, inventar. Tive “aulas” até os 13. Voltei a conviver com ele, já adulto, quando, em 1970, fui estudar nos EUA e ele morava em NY. Trabalhamos juntos em diversos projetos, de fotografia, cinema e outros. Quando ele voltou para o Rio, em 1978, e eu já estava de volta aqui e mantivemos um contato quase que diário, até sua trágica morte em 1980.
Hélio foi um grande mentor de minhas idéias e realizações, não só na fotografia, como em outras atividades artísticas e profissionais. Continuo ligado à sua obra e vida, participando de alguns projetos, como exposições, livros etc. Sou muito amigo de seu irmão, César, e de seu sobrinho, o também fotógrafo César Filho.

F - Que outras influências têm o seu trabalho?
AV - Minha formação artística vem desde cedo. Meus pais sempre estimularam as artes, com idas a museus, viagens etc. Sou uma pessoa antenada no que aconteceu e no que acontece no mundo.

 

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