Conheça um pouco da filosofia do jiu-jitsu por meio de um de seus principais personagens no Brasil.
De tanto ter sido repetido por gerações de pais, o conceito se cristalizou no consciente das principais cidades brasileiras: para o início de atividades esportivas voltadas a crianças, o mais recomendado é natação ou judô. A primeira, por ser considerada um esporte completo, que movimenta toda a musculatura do corpo e contribui para o desenvolvimento do sistema respiratório. Por sua vez, o judô é considerado arte marcial, eminentemente de defesa, em que o praticante se utiliza da força do adversário para derrotá-lo.
Já que se mencionou o assunto arte marcial, é curiosa a comparação entre o judô e o jiu-jitsu. Ambas têm origem comum, o Japão; as têm como filosofia a auto-defesa; e nos dois casos a essência está na utilização da força do adversário para conseguir superá-lo. No entanto, enquanto o judô ganhou status de esporte limpo, sadio e olímpico, o jiu-jitsu ficou conhecido como luta violenta, praticada por quem tem a intenção de ferir o oponente. Pura distorção da realidade, segundo praticantes das duas modalidades esportivas. A Focvm Magazine conversou com Demian Maia, que conhece bem as duas artes marciais e nos ajudou a conhecer melhor a essência do jiu-jitsu.
História
É senso comum que, assim como as demais artes marciais, o jiu-jitsu começou a ser praticado na Índia, por monges budistas, há cerca de 2.500 anos, e que séculos mais tarde foi levado ao Japão e à China, e de lá se espalhou pelo mundo. No entanto, de acordo com Donn Draeger (1922/1982), que escreveu sete livros sobre a história das artes marciais, o jiu-jitsu é, em essência, japonês, e era praticado por clãs diferentes, que impunham estilos distintos àquela arte marcial, de tal sorte que no fim da era Tokugawa (segunda metade do século XIX), havia cerca de 700 estilos de jiu-jitsu. Foi a partir de então que se desenvolveram as artes marciais atualmente conhecidas como judô, caratê e aikidô, por exemplo.
A importância do jiu-jitsu era tamanha para a cultura do Japão que chegou a ser proibido ser ensinado fora do país ou a pessoas não-japonesas. A punição para quem desobedecesse a esse decreto imperial era a condenação à morte, por crime de traição ao Japão; além disso, sua família perdia todos os bens que possuía e sua moradia era incendiada. A partir do início do século XX, as artes marciais japonesas passaram a ganhar popularidade em países ocidentais, e se tornaram forte elementos culturais japoneses.
O jiu-jitsu chegou ao Brasil em 1917, quando Mitsuyo Maeda foi enviado ao Brasil em missão diplomática, tendo como principal tarefa a de receber os imigrantes japoneses que aqui chegavam e ajudá-los a se estabelecer no País.
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