Edição 27
  primeira palavra
  infocvs
  direto no olhar
  clicando pelo mundo
  missão fotográfica
  esportes
  portfólio
  vida normal
  saúde em close
  fotograma
  seus direitos
  fotorepórter
  fórum
 
in focvs
A condição feminina
Por: Márcia Silva
 
Iris Alejandra Avendaño Acero

       Apesar de todas as conquistas da humanidade, ainda convivemos em pleno século 21 com práticas discriminatórias e violência contra a mulher. Em nosso primeiro número, já trazíamos a denuncia sobre a prostituição e o tráfico de mulheres, no entanto quando a mulher consegue denunciar os abusos e as violências sofridas, encontra nas autoridades – que deveriam lhe oferecer proteção – mais discriminação e constrangimentos.

       A socióloga Vanda Paiva relata o caso de três universitárias que foram atacadas por um estuprador, mas uma delas consegue se desvencilhar, tomar sua arma e acaba atirando e matando o rapaz. Em seguida as três vão à polícia denunciar o caso, e o delegado as prende alegando que são assassinas. A mulher sofre a violência e ainda é acusada de ser a causadora dessa violência. São acusadas de serem provocadoras, insinuantes e, portanto, passiveis de se tornarem alvo de violência de homens que estariam “apenas” respondendo aos seus instintos, ou às “provocações” da mulher.

       A delegacia da mulher foi criada para ser um lugar de socorro a mulheres que sofrem violência. Acredita-se que para evitar o preconceito e o constrangimento a que eram submetidas as mulheres quando iam denunciar esse tipo de crime na delegacia comum. No entanto isso ainda não é suficiente, as leis de proteção ainda são muito falhas. A estudante Silvia de 18 anos recebeu ameaças através de bilhetes e telefonemas de seu ex-namorado, mas foi informada que além da queixa não havia muito mais coisas a fazer, pois só poderia ser feito algo se as ameaças se concretizassem.

       Recentemente a história da adolescente L. presa numa cela com outros presos homens ficou sujeita à estupros múltiplos sucessivos e agressão física trouxe à tona uma outra face da violência contra a mulher: a adesão feminina ao preconceito contra ela própria. O caso foi noticiado nacionalmente e chamou a atenção para a falta de atuação de mulheres que ocupando cargos chaves que haviam tomado conhecimento do caso, mas não fizeram nada para resolver a situação. Numa espécie de Síndrome de Estocolmo, essas mulheres interiorizam os mesmos preconceitos que as subjugam e colocam a mulher numa posição de subalternidade, dependência, disponibilidade, que justificaria a violência contra ela.

       Segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia (IVW, ligada ao governo da Holanda e à ONU), que pesquisou a violência doméstica com 138 mil mulheres, de 54 países, o Brasil é o país que mais sofre com a violência doméstica: 23% das mulheres brasileiras estão sujeitas a este tipo de violência.

       Esse é um fenômeno universal que atinge indistintamente mulheres de todas as classes sociais, etnias, religiões e culturas. Deixa seqüelas emocionais devastadoras, muitas vezes irreparáveis, e impactos graves sobre a saúde sexual e reprodutiva da mulher. Segundo o Instituto Patrícia Galvão entre 25% e 50% das sobreviventes são infectadas por DST. A cada 4 minutos, uma mulher é agredida em seu próprio lar por uma pessoa com quem mantém relação de afeto.

       Não há somente a agressão física, mas a psicológica, a intimidação, o constrangimento, discriminação, desrespeito são formas comuns de agressão psicológica, que não deixam marcas visíveis, mas marcam por toda a vida.

 

 

Pág. 1
Próxima Página >>
Indique esse site para um amigo!