Edição 27
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Barceló – uma viagem no tempo
Texto e fotos: Sandra Mara de Oliveira Souza
Hospital de San Pau

       Quando alguém diz “conheci a Europa, fiz 10 países em 12 dias”, não acredite. Com certeza a pessoa conheceu aeroportos, rodoviárias, trens e filas de imigração. Para conhecer uma cidade é preciso caminhar nas calçadas, falar com as pessoas, sentir o cheiro das ruas e quando você não dispõe de muito tempo para isso, a melhor alternativa é contar com alguém que conhece bem tudo isso para te acompanhar.

       Barcelona é “um sonho perfeito”, como afirma Freddie Mercury em sua canção. Sonho de monumentos cultuados, ruas centrais marcadas com símbolos que caracterizam a rota modernista, onde o hoje e o ontem convivem numa harmonia inacreditável. Tons, cores, formas e odores marcam essa aventura história adentro.

Chegamos à cidade ainda de madrugada e enquanto o ônibus entrava, os olhos tentavam ajustar-se às novidades. Prédios antigos, lojas modernas, jovens borrachos andando pela rua. Luzes e movimento, cansaço e ansiedade. Barcelona nos deu as boas-vindas com uma noite fria, embora acolhedora, de início de dezembro. A cidade, imprensada entre o mar e as montanhas, cresceu para os lados e converteu-se na maior capital do Mediterrâneo. 

       Durante o dia, com luz natural e pouco movimento (sim, eles também têm preguiça no domingo) pudemos experimentar um pouco do cotidiano barcelonês, com uma caminhada pelo Paseo de Gracia, onde estão situadas as famosas casas de Antonio Gaudi.

       Gaudi era um arquiteto de fortes convicções espirituais e diz-se que suas maiores criações nasceram justamente na fase em que esteve mais ligado à religião. Essa característica pode ser sentida ao observarmos a Catedral da Sagrada Família. Concebida sobre uma planta de cruz latina, possui torres estilizadas e um zimbório de 170 metros de altura. Zimbório, para os não conhecedores dos jargões da arquitetura, é a parte exterior e mais alta da cúpula de um edifício.  Este monumento inacabado enche os olhos e convida-nos a uma reflexão acerca do estilo do arquiteto catalão e de seus devaneios.

Parque Guell

       Outra obra que impressiona e que nos faz refletir é o parque Guell. A maior incubência dada a Gaudi pelo seu mecenas, esta cidade-jardim de uns vinte hectares, é um convite não só para refletir sobre a beleza arquitetônica ou natural do parque (que, sem dúvida, é inquestionável), mas refletir sobre a vida, sobre nós mesmos. O lugar tem uma energia indescritível. As cerâmicas, desde a escada da entrada pela rua Ollot, nos dão uma idéia do que nos espera ao adentrarmos o parque.

       Em Barcelona, no final da tarde, alguns locais irradiam uma luz dourada encantadora. Encontramos essa luz em um lugar tão especial quanto improvável: num hospital. O hospital de San Pau (San Pablo). Formas arredondadas, cores vivas, muitas laranjeiras e o inconfundível estilo de Gaudi.


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