Edição 27
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O terror do secador
Ilustração e texto: Júlia Gojtan
 
foto: Luiz Pinheiro

          Apenas os desventurados mortais que já tentaram dar banho em um gato podem dizer que são heróis. Comida = Doces e dóceis bichanos. Banho = Selvagens e incontroláveis.

          É de conhecimento popular que além de os gatos se limparem sozinhos, detestam qualquer contato de seus belos casacos de pele com água. Mesmo sabendo disso, a moça não se conforma que seu Fofinho não cheire a rosas. Decisão: dar-lhe um majestoso banho com direito a espuma, xampu, condicionador, esfoliante à base de aveia e papaia para as patinhas. 

          Pega o dito cujo. [Rrrrrr...] Ele pensa que vai receber colo. Banheiro... estranho lugar para colo... vai ver que ela precisa fazer serviço pesado. Ei, por que a banheira está cheia de ÁGUA? Por que estamos indo em direção a ela? Miauuuuu! Csssss! Fofinho descobre ter o dom de agitar suas patas em velocidade superior ao bater de asas de um beija-flor desenfreado. A dona não consegue contê-lo por um segundo.  Chão. Ufa.

          Porém a moça fecha a porta antes da fuga. Encurralado. O gato escapa dela como pode. Com as orelhas para trás alinhadas ao pescoço ele passa por entre as pernas gigantes, escala nas suas costas e anda pelas paredes deixando os efeitos especiais de Matrix obsoletos. Oh-oh... os azulejos estão escorregadios. Splash! 97% de seu volume despede-se. Fofinho agora é Gravetinho, Franguinho, Ossinho.

Fofinho Kopie

          Mas a temperatura da água está agradavelmente morna e ela se esforça para mimá-lo com cafuné. Ele se acalma. Xampu na barriguita, xampu nas patitas, xampu no pescoscito [Rrrrrr..], xampu nas costitas [Rrrrrrrrrrr..], xampu... xampu aonde???  

          Hora do terror parte dois. A banheira perde visivelmente metade do que continha no início do episódio. Arranhãozinho acidental no braço da dona. Agora é questão de honra. Esse gato vai ser banhado até o fim. Agarra-o com o auxílio de uma toalha extra-grossa. Toma essa! Quero ver me arranhar agora. O felino é empacotado praticamente a vácuo, é levado para o quarto, já que para permanecer no banheiro agora é preciso ter um bote.  

          Ahh... cama macia. Ela o liberta da toalha. Gato Punk. Secador na tomada. Estrondo tão insuportavelmente alto que Fofinho pensa estar vivendo os últimos momentos de sua sétima vida.  Não quero morrer um gato escaldado! Miaaaaauuuuuu!!!! 

          Campainha. O vizinho quer saber se tem alguém morrendo na casa, se está tudo bem. Um berreiro desses!

          Voltando ao Fofinho. Não há mais Fofinho. O Fofinho sumiu. Fofiiiiinhooo cadê vocêeeeee? Humm... vamos pegar o bicho pelo estomago. Bem fácil, basta abrir uma lata de atum. Tiro e queda.  Lá vem o gato.  Ela o agarra. Segue-se sofrida luta de 20 minutos. Vale a pena. Cheirosinho, limpinho, laço vermelho no pescoço. Um exemplo de animal! 

          Dia seguinte: quem fez o xixi em cima do secador?

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