Edição 28
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       O lado mais perverso dessa situação é que os problemas só conseguem ser resolvidos se forem tratados no âmbito do direito do consumidor. Inversões sutis como essas são as que levam a redução da cidadania à condição de consumidor e uma desobrigação do Estado de garantir direitos fundamentais como, por exemplo, o direito à educação. A educação passa a ser uma “oportunidade”, uma responsabilidade do cidadão “deseducado”, uma obrigação para quem quiser se colocar no mercado de trabalho. O que esse discurso não diz é que não existem vagas para todos. O direito à educação é um dever do Estado e esse discurso serve não só para desobrigá-lo de garantir esse direito, mas também fomentar o mercado dos  “cursos de formação”. 

  foto: Dagmar Zimova

       Assim, sem que nos dessemos conta, diversos aspectos da vida vão sendo comercializados - o ar que se respira, a água que se bebe e mais recentemente as células. A discussão sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias tem sido tratada no âmbito da discussão sobre se esta célula já é ou não é vida humana. Não se pode ser contra pesquisas que possam salvar vidas, mas fico pensando: quantas pessoas não vão vender seus óvulos e espermas para a realização de testes ou para a produção de células-tronco? Por quanto poderão vender a sua “produção”? A quem será destinado o tratamento? 

       O sorriso da criança para o pai não tem preço... ainda... mas logo nos perguntaremos - quem poderá terá o cartão para pagar?

 

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