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Dona Maria Chaves, tem 80 anos, 4 filhos (todos do mês de Julho), 36 netos, 60 bisnetos e 3 tataranetos, seu primeiro filho nasceu quando ela tinha 16 anos. Aprendeu a ler com seu pai e fez até a 4ª série primária, conheceu o pai de seus filhos aos 16 anos, ele era casado e não quis assumir seus filhos, ela então os criou sozinha. “Só tenho duas coisas que me arrependo de ter feito em toda a minha vida, ter tido filho com 16 anos e ter passado 49 anos sem conhecer Deus” diz dona Maria Chaves.
Deixou os filhos ainda jovens e veio para Fortaleza, trabalhou como empregada doméstica e também no porto do Mucuripe com a venda de biscoitos, bombons, cigarros, bebidas e outras goloseimas, mas sofreu abusos e maus tratos no porto. Voltou para a sua vila para tentar a sorte e como não conseguia o sustento retorna para Fortaleza e continua trabalhando como empregada doméstica. “Sofri muito em minha vida para criar meus filhos, eu queria deixar para cada um deles um pedaço de terra, lutei muito, mas hoje cada um deles tem terra que eu dei para eles viverem. Posso não ter dado a eles estudo e fortuna, mas dei aquilo que estava em meu alcance” diz dona Maria.
Hoje dona Maria Chaves mora sozinha numa pequena casa que ela mesma construiu. Mas pretende vendê-la e morar mais perto de um dos netos que mais a ajuda, ele lhe deu uma TV e uma geladeira. Quer continuar morando sozinha, pois não quer ser peso para ninguém. Vive da aposentadoria, R$ 380,00, gosta de ler, principalmente a bíblia, passear pela praia, é conhecedora dos tipos de peixes e frutos do mar, tem muitos amigos e todos da Vila a respeitam. Os netos, bisnetos e tataranetos “tomam a benção” cada vez que a encontram fazendo suas compras na pequena vila.
Um exemplo de coragem, de fé, determinação e principalmente de luta, apesar de sua condição de poucos recursos. Tem uma saúde invejável, e uma lucidez capaz de lembrar velhas histórias e pessoas do passado. Diz que “o segredo da vida é dormir cedo e acordar cedo, trabalhar muito e honestamente, não dever a ninguém, a não ser “favor” e esse ninguém paga, e amar sem esperar troca”
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