Edição 29
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O professor e o uso das linguagens audiovisuais na sala de aula
Márcia Barbosa da Silva
 
foto: Jay Lopez

       O uso da TV e o Vídeo nas salas de aulas têm sido, na maioria das vezes, incorporados à prática da escola como um substituto da aula, como se o vídeo por si só realizasse a transposição de informação para conhecimento, como alerta o pesquisador Celso Antunes em seu depoimento à TV Escola.  

       Apesar de ter a possibilidade de provocar nos alunos certos insights, a substituição da aula por um vídeo, por melhor que ele seja, não prescinde da presença do professor na condução do processo de produção e aquisição do conhecimento. E acompanhar o vídeo da famosa pergunta “o que vocês entenderam desse vídeo?”, sem nenhum objetivo maior além da pergunta em si mesma, sem que ela venha acompanhada de  apresentações de desafios cognitivos, de propostas... torna o uso do vídeo esvaziado. 

       Outro problema comum é que na maioria das vezes os professores só se utilizam de vídeos com conteúdos que servem somente para reforçar algo que já foi dito. Voltando novamente ao Celso Antunes, ele exemplifica o trabalho com a mídia na aula com a exploração de uma notícia de jornal – quando os professores, a partir de uma notícia aleatória, se propõem a fazer relações com o seu conteúdo programático – revela que existem possibilidades de trabalho muito além do óbvio. Através de  apresentações de materiais midiáticos, aparentemente sem conexão direta com o conteúdo, é possível fazer com que o aluno reflita sobre um determinado aspecto de sua realidade, transformando, acrescentando, revendo pontos de vista. Principalmente porque a mídia está trazendo outras fontes de informações que impactam o aluno e não estão sendo tratadas pela escola. 

       Alguns autores colocam ainda a necessidade da produção de textos midiáticos como forma de aprimoramento da leitura das mídias, mas também como possibilidade de elaboração da própria palavra, como diria Freire.  

       No entanto, em sua formação, excetuando-se os licenciados na área de Artes, os professores não têm informações e nem mesmo realizam exercícios de como elaborar um vídeo, não sabem as noções de quais são os elementos que compõem a imagem, quais são os símbolos implicados nelas. Dessa forma, o uso do vídeo permanece muito limitado ao “assistir” e à “análise do conteúdo” (argumento). 



 
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