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| foto: Regina Celia Gobbi |
Nasci em João Pessoa, estado da Paraíba, num bairro chamado Cruz das Armas. Lugar gostoso de viver, porém sem perspectiva de crescimento profissional, financeiro, intelectual ... Em 1980, com apenas 22 anos, pai de um filho e em véspera do nascimento de outro, vi-me obrigado a vir a São Paulo com esperança de conseguir emprego e conseqüentemente dar condições de vida melhores aos meus.
Saí de João Pessoa com endereço de um amigo (filho de um patrão). Certa vez, quando de passeio pela cidade, dizia ele que em quaisquer situações, havendo necessidade de ir a São Paulo, que o procurasse, pois teria condições de alojar ou hospedar uma pessoa por algum tempo até que arrumasse emprego ou se arranjasse na vida. Tudo bem, quando apareceu a oportunidade não tive dúvidas vim a São Paulo com o endereço deste amigo e esperanças na bagagem, além de aproximadamente R$ 200,00 (duzentos reais).
Quando cheguei à cidade - absolutamente desconhecida - procurei informações de como ir àquele local, mas quando cheguei ao endereço que me fora dado, existia uma empresa de ônibus e a pessoa que procurava não existia. Ninguém o conhecia, nem mesmo havia algum funcionário com o mesmo nome.
Detalhe: eram aproximadamente 23 horas, o que fazer num lugar que você não conhece, sem dinheiro, sem qualquer referência, sem saber pra onde ir? Então pensei: “posso ir a uma pousada dormir e amanhã me viro” (procuro destino). Mas, ao mesmo tempo veio o questionamento: “se vou pra uma pousada, acaba o dinheiro e como vou sobreviver a partir de amanhã?”. Resultado: prevaleceu o bom senso e fui dormir na rua, sob um viaduto na praça marechal Deodoro em frente à antiga sede da rede Globo. Na minha primeira noite de São Paulo dividi um espaço de aproximadamente 10 metros, com um morador de rua (sem teto).
No dia seguinte saí à procura de emprego no largo da concórdia, bairro do Brás. Naquela época, existiam ali, filas de peruas Kombi com agenciadores à procura de pessoas que quisessem trabalhar, e numa dessas Kombi, consegui achar a proposta que no momento me resolveria dois problemas. Dinheiro e Moradia.
Arrumei um emprego numa empresa de serviços de segurança com sede no parque Dom Pedro II, local em que trabalhei por 4 meses. A essa altura, já morava no bairro do Bom Retiro, e havia feito algumas amizades. Uma dessas amizades me daria um emprego de ajudante de marceneiro, local em que trabalhei até junho de 1981, quando, passando em frente ao quartel da polícia, vi uma placa onde dizia: seja um policial militar. E eu fui até lá e me informei do que precisava para ser um policial.
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