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| Foto: Divulgação de Isabella |
Isabella Nardoni, 5 anos, foi encontrada ferida, no sábado, dia 29 de março de 2008, no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, na zona norte de São Paulo. A menina chegou a ser socorrida e levada ao Pronto-Socorro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
A suspeita de assassinato recaída sobre os pais anunciada pela polícia já nos primeiros momentos da investigação contribuiu para que esse se tornasse um dos casos mais contundentes de construção de uma “comoção nacional” com a participação de vários atores: profissionais da mídia, do setor de segurança, especialistas e a população em geral.
A exploração a exaustão desse caso pela mídia brasileira, foi analisada pelo professor Clóvis de Barros como um caso típico de agenda-setting, segundo a qual, os temas mais vinculados na telinha, na imprensa e na web também são os mais debatidos pela sociedade. Sem conspiração ou manipulações necessariamente conscientes, observa o autor, afinal, toda a produção da mídia é coletiva, social. Mas o caso nos convoca à reflexão sobre questões éticas tais como: quais as implicações do uso de recursos técnicos de animação e simulações na exposição de notícias? Quais os limites do compromisso com a informação e a exploração do sofrimento alheio? O que é lícito fazer para obter notícias?
O caso das simulações é muito grave, pois com o argumento do uso da ilustração para facilitar a apresentação do “fato”, termina por cristalizar a versão apresentada sem que sejam consideradas todas as outras possíveis. Nesse sentido a advertência de simulação é no mínimo, cínica, uma vez que ocupa a tela inteira com narração didática e repetida a exaustão. A versão vira fato, (fato social?) é reproduzida pela população como se fosse a realidade e, com base nessas “informações, julgam, tomam partido e dão o seu veredicto. Se aglomeram, portam faixas, gritam sua raiva.
A própria “comoção” é retratada pela mídia como algo que lhe externo, como se fosse um fenômeno social “espontâneo”, do qual ela é apenas relatora. Para isso, especialistas são chamados a opinar a respeito das manifestações populares sobre o caso. Estes por sua vez abordam as “paixões humanas”, culpabilizam as pessoas individualmente sem tocar na participação da mídia. Que tipo de compromisso ético esses profissionais estão assumindo a medida que não se pronunciam também a respeito da participação da mídia na espetacularização desse episódio?
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