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| Foto: Volker Stock |
Em outro momento discutimos aqui sobre a cobertura feita pela imprensa do caso Isabela. Agora pouco tempo depois estamos diante de um outro caso em que a cobertura da mídia interferiu diretamente no caso, provoca novamente uma reflexão sobre a ética no Brasil.
Não quero falar aqui da falta de ética de profissionais do jornalismo que transformou um seqüestrador em pop-star através de uma cobertura que visava supostamente o “direito” do consumidor, digo telespectador, ouvinte, leitor à informação. Nem mesmo da irresponsabilidade de uma apresentadora que sem nenhuma autorização fala com o seqüestrador em rede nacional minando todo o trabalho da polícia.
Não falo também do jornalismo que no Brasil tem em nome da informação transformado casos policiais em peças dramáticas com suas entradas ao vivo para dar mais um detalhe, que na verdade não informam nada, mas cria no telespectador a expectativa do “próximo capítulo”. Esse tipo de cobertura tem a ver com uma filosofia que visa audiência e disputa por patrocinadores e não o “direito à informação”. E sabendo que o seqüestrador tinha acesso a tv os programas exibem exaustivas reportagens com especialistas que analisam a personalidade do seqüestrador.
Falo das atitudes diárias que participam também dessas condições degradantes e que nem sempre são lembrados. Quem são esses profissionais renomados e esclarecidos que se prestam a participar desses programas sabendo que também estão sendo vistos pelo seqüestrador? Quem são os chefes de redação que permitem que vão ao ar esse tipo de intervenção? Quem são as pessoas que fornecem as informações sigilosas?? Aparecer na TV se constituiu um valor em si, criminosos passam a ser celebridades, pessoas comuns se transformam em personagens, mas as pessoas que morrem na vida real não são atores que voltam na próxima novela, são vidas interrompidas, as cenas não podem ser refeitas, não há final alternativo, não há nada a não ser dor e perda para quem tem que continuar a viver depois que os refletores se apagam.
É urgente que a ética seja recuperada em todos os campos de atuação: na família, no trabalho, nas relações pessoais. A ética que põe o humano na frente do lucro, do dinheiro.
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