Edição 32
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Avaliação dos professores ou do Estado?
Texto e fotos: Márcia Silva
 

foto: elias minasi

       Foi notícia na mídia nacional em letras garrafais e anunciada por apresentadores de telejornais, acompanhadas por caras de horror, o suposto resultado de que 1.500 professores tiraram nota zero numa avaliação feita pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Ao mesmo tempo em que se denunciava o corporativismo da APEOESP ao defender a anulação dos resultados.

       Como educadora, paulista, embora longe do meu estado no momento, muitas pessoas me pedem opinião a respeito. Só posso mesmo opinar, pois o assunto merece uma reflexão mais aprofundada do que é possível fazer de momento. Porém, diante da virulência com que os zeros foram alardeados creio que é preciso desconfiar.

Se os argumentos da APEOESP fossem realmente frágeis será que teriam conseguido uma liminar da justiça, ou a justiça seria também responsável pela má qualidade dos resultados? Por outro lado, podem aqueles que ofereceram provas com erros de português tripudiar sobre aqueles que zeraram nessas mesmas provas? O que significa um zero numa prova de múltipla escolha, uma loteria na qual não se acertou um jogo sequer, ou um volante em branco?

       No entanto, essas questões são pueris em relação a outras que considero muito mais graves e relevantes, que tem que ver com o que significa a avaliação no contexto das políticas educacionais hoje. Os critérios de avaliação impostos às áreas sociais em São Paulo seguem critérios de produtividade, da quantidade, dos resultados em detrimento do processo. De acordo com uma lógica de mercado o professor tem que atingir metas, como se os alunos fossem as mercadorias resultantes ao final do processo de produção, com vários pontos de checagem (avaliações) para medir o índice de qualidade dos produtos. E o que se faz com os produtos que não correspondem ao padrão? Descarta-se? Recicla? Claro está que a lógica do mercado não deve reger a formação de seres humanos.

       Deve-se, portanto, desconfiar de processos pontuais, descontextualizados, gerais, homogeneizantes, assim como de seus resultados – para o bem ou para o mal.
Grupos de pesquisa sérios ligados a área de educação têm acompanhado alguns processos de avaliação implantados pelo governo, detectando incoerências e inconsistências. Representantes da Sociedade Brasileira de Educação Matemática analisaram o último concurso realizado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para Professor de Educação Básica II – Matemática, de março de 2007. Após constatar diversas distorções questionaram:

       “Ficam, então, as perguntas: quem será aprovado em um exame que não oferece condições de tempo adequadas para as respostas; que não está coerente com a bibliografia indicada para a prova; que não relaciona a prática docente ao conteúdo específico, depois de ter sido formado por uma instituição de nível superior que não foi fiscalizada, num curso superior que dura, em geral, apenas três anos, no período noturno, e que pode ser cumprido à distância, em boa parte dessas instituições? A responsabilidade pelos insucessos será apenas dos candidatos?”

 

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