Recentemente o mesmo Governo do Estado de São Paulo estabeleceu critérios de avaliação do estágio probatório baseados na assiduidade, disciplina, iniciativa, responsabilidade, comprometimento com o serviço publico, eficiência e produtividade. O que provocou uma reação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), alegando que não é contrária a este tipo de avaliação probatória, mas discorda da forma adotada pelo estado. “Estipular critérios como assiduidade e produtividade é uma maneira de avaliar somente o indivíduo e esquecer o contexto em que ele se insere”, revela Denílson Bento da Costa, secretário geral da CNTE.
De acordo com Denílson, “é preciso avaliar sistematicamente o projeto político-pedagógico, o projeto de gestão, os salários e as condições de trabalho em que o professor se encontra” para alcançar uma fotografia exata da realidade e do desempenho do profissional.
Há que se pensar que quando o sistema funciona a avaliação punitiva não existe, o que existe é a avaliação diagnostica. Em escolas particulares do chamado circuito alternativo de São Paulo, temos uma relação diferenciada, por exemplo, entre coordenadores pedagógicos e professores que se pauta na proposta pedagógica da escola, os dois profissionais atuam conjuntamente visando a melhoria da prática pedagógica e o bom aproveitamento dos alunos, diferentemente do regime policialesco do Estado.
Outro ponto a ser lembrado é que o Estado de São Paulo tem sido governado por um mesmo partido político. Realmente, para quem tem aspirações à presidência do país é muito mais fácil zerar professores do que admitir equívocos principalmente as vésperas de um ano eleitoral. Nesse sentido não se pode esquecer que Paulo Freire ao assumir a secretaria de Educação da cidade de São Paulo visitou cada uma das escolas do município e discutiu com a comunidade os problemas/soluções para cada uma delas. Será que o governador e sua secretária conhecem a rede pública para além dos números dos relatórios? Será que conhecem as comunidades das escolas, seus problemas, para além das maquiadas inaugurações? Seriam capazes de viver um mês inteiro com os salários que pagam aos professores e ainda assim alfabetizar em salas com mais de 40 alunos de todas as idades, alguns deles armados de facas estiletes e revólveres? Chegariam em casa depois de jornada dupla ou tripla de trabalho e leriam os guias curriculares da secretaria e preparariam suas aulas após cuidadosa análise do desempenho de cada um dos seus alunos? Dariam aulas em contêineres sem ventilação, ou fariam seus alunos mudarem de lado da sala conforme a incidência de luz no quadro? Deixariam sua família aos finais de semana para se dedicarem aos programas de escola aberta à comunidade?
Depois disso só tenho mais uma pergunta, quem realmente merece o zero?
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