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Faleceu na tarde do dia 25 de junho um dos maiores ícones da música pop do século passado, Michael Jackson foi símbolo de uma geração e vítima de sua própria imagem.
Filho de família pobre, Jackson foi obrigado pelo pai a fazer shows juntamente com os irmãos, mas logo se destacaria e inauguraria uma carreira solo com baladas românticas como Ben, Got to be there entre outras. Mais tarde, já livre do julgo paterno Jackson revela uma multiplicidade de talentos além do musical, tornando-se um dos maiores símbolos de Marketing do mundo da Música, igualado apenas quem sabe, por Madonna.
Essa é uma das possíveis descrições do que foi Michael Jackson, e muito mais se pode encontrar agora depois da sua morte, uma vez que os fãs correram às lojas para tentar obter a “última lembrança” do ídolo. Nossa intenção nesse texto não é abordar a vida, ou a música, mas sim a forma como Jackson se apresenta como um produto midiático, deixando de ser uma pessoa para se tornar uma imagem.
Do ponto de vista psicológico, a “despessoalização” (deixar de ser pessoa) de MJ já se inicia na infância com as pressões psicológicas por parte do pai para se transformar em um astro da música negra juntamente com os irmãos, que só mais tarde serão reveladas ao público. Lembro de ter assistido aos desenhos sobre as aventuras dos irmãos “Five” na tv. Já naquela época havia uma exploração da imagem de Michael e dos irmãos como um produto. Os desenhos eram entremeados de clipes musicais, uma estratégia de apresentação da imagem do grupo para vender outro produto – o disco. De certa forma não havia aí ainda uma descaracterização do humano, uma vez que se apresentavam como família, e as histórias contadas nos desenhos serviam para aproximar o público do cotidiano dos irmãos.
No início da carreira solo começa a se desenhar uma nova imagem, (não mais tão infantil) através das baladas românticas, mas é quando se torna adulto e responsável pela própria carreira que Jackson começa realmente a se transformar num ícone, numa imagem, num produto de marketing desconectado do humano.
A própria mudança nas feições, o “branqueamento” – proposital ou não – e a conseqüente descaracterização de sua cor da pele, é um marco nas transformações de desconexão com o humano, o corpo deixa de ser “habitat natural da pessoa”, para ser o suporte de uma imagem criada (ou deformada) para atender a padrões internos/externos de beleza, de vendagem de penetração no mercado. Um Negro/Branco, um ser hibrido, andrógino que pode circular por diversas esferas proporcionando vários tipos de identificação.
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