O direto no olhar desta edição traz um pouco da história e da vida de uma senhora nascida na década de 20 em Pedra Branca, cidade do interior do estado do Ceará.
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| Dona Alzira(a direita) conversa com uma amiga. |
O filósofo Lao-Tsé diria que: “Conhecer os outros é inteligência, conhecer-se a si próprio é verdadeira sabedoria. Controlar os outros é força, controlar-se a si próprio é verdadeiro poder.” O feliz fragmento me remete ao diálogo travado com esta senhora no final de uma tarde de sábado.
Dona Alzira, 87 anos recém completados no último dia 28/06 narra através da oralidade e com uma linguagem simples reflexos de uma vida sofrida marcada pelas experiências vividas desde o nascimento, a infância, a fase adulta, no contexto sertanejo. Pobre, de família simples e principalmente pelas mudanças sofridas por um país que vivenciou revoluções, ditaduras e regimes ao longo desse século, sorri como quem aceita o destino por vezes traiçoeiro, ora surpreendente, na saga pessoal de luta, fé e esperança.
Sem oportunidades de inserção na educação formal, Dona Alzira carrega o espírito de sabedoria construído pelas leituras de mundo, de comportamentos e atitudes humanas. Desprovida do saber escolar, mas sábia pelas vivências árduas da vida, cresceu, casou, e educou em meio a tantas adversidades 17 filhos. Diferentemente de outras famílias que migraram para o sul/sudeste do país em busca de melhores oportunidades de vida, optou pela sua terra raiz para vencer as dificuldades da seca, da fome, tão comum na evolução das décadas na região nordeste do Brasil.
Dona Alzira inspira reflexão quando fala da sua vida, da sua paixão pela família, pelo amor a sua terra natal, pelas cores e diversidade da sua pátria e da sua gente. Trabalhadora rural desde a infância, casou aos 13 anos como era de costume naquela época e ergueu seu patrimônio não de bens, mas de afeto a cada nascimento dos seus filhos educados a partir de um olhar materno em que a simplicidade, a súplica de fé roubou o espaço da ganância, da inveja, da violência e da injustiça tão comum nos dias atuais.
Ao lado de Mizael, seu esposo, dividiu toda a sua vida. Deus o levou em 2005, quando juntos já haviam enfrentado dores que parecem insuportáveis, refiro-me a perda daqueles que geramos e parimos (nosso filhos), no caso deles, foram 08 perdas ao longo dessa vida.
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